Terça-feira, Novembro 10, 2009

(les_choses)


6790 pessoas falando ao mesmo tempo.
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6783 sabotadores arrependidos.
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6781 nomes de dor.
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6773 ausências.
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6770 excêntricos desamparados.
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6050 pessoas que acreditam na insônia.
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4029 minutos.
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3990 rabiscos.
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3987 feriados abafados.
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3783 hipóteses.
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3725 experiências lamentáveis.
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A fotografia é de Neil Krug.
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agefqtj-

Sábado, Novembro 07, 2009

(pronto_final)

Ficar repetindo as coisas cansa, trabalhar cansa, calor cansa. Ficar repetindo as coisas dá trabalho, cansa. Ainda mais no calor. Não vou mais ficar repetindo as coisas. Porque repetir as coisas cansa. E repetir as coisas pode ser uma coisa sem graça. E uma coisa sem graça é uma coisa desgraçada. Dá trabalho, cansa e tem feito muito calor. Meu guarda-chuva continua na mochila, fazendo peso, porque tem feito muito calor. E quando faz muito calor geralmente chove. Mas não tem chovido. Não vou mais ficar repetindo as coisas, não vou mesmo. Ainda mais no calor. Ainda mais porque dá trabalho. Ainda mais porque ficar repetindo as coisas é uma coisa sem graça, desgraçada portanto. E nada que é desgraçado é engraçado. Esta é a última vez que fico repetindo as coisas, a última mesmo, de verdade. Dá trabalho. E cansa. Ainda mais no calor.
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A fotografia é de Sakamoto Junichi.
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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

(calor_do_cão)

A expressão dog days pode definir um período ou acontecimento que é muito quente ou estagnado, marcado por uma monótona falta de progresso. Um período ou acontecimento muito quente. Um período ou acontecimento estagnado. Muito quente, estagnado e sem progresso. Como se as coisas se repetissem o tempo todo. Mas se os períodos e acontecimentos, quentes e estagnados, são períodos e acontecimentos marcados por uma monótona falta de progresso, posso dizer que as coisas não saem do lugar. Não há progresso. E se as coisas não saem do lugar, porque não há progresso, como escrever alguma coisa sobre períodos e acontecimentos quentes e estagnados?! Marcados por uma monótona falta de progresso, períodos ou acontecimentos quentes e estagnados podem ser definidos pela expressão dog days.
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A fotografia é de Elizabeth Weinberg.
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Terça-feira, Novembro 03, 2009

(eco_logia)

Não vou ficar repetindo as coisas. Ahan. Não vou mesmo. Acredito. Repetir as coisas é um claro sinal de falta de engajamento. (Gargalhei agora). Repetir as coisas como se as frases dessem voltas?! Isso aí. Mas repetir as coisas pode ser falta de assunto. Pode ser, pode não ser. Nem vou mais usar palavras ordinárias. Claro que vai, vai sim, claro que vai, vai sim. Pretendo rebuscar as frases. Eu diria rabiscar as frases. Pretendo fazer períodos longos. Bem curtos. Subordinar mais as oração. Não, nem pensar. E não repetir as coisas. E repetir as coisas. Porque ficar repetindo as coisas é uma espécie de não-engajamento. (Gargalhei de novo). E não-engajamento é coisa de quem fica repetindo as coisas. Aliás, quais coisas?! E de falta de assunto. Pode ser, pode não ser. Quase nunca é.
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A fotografia é de Gordon Ball.
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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

(ditado)

Este não é um comunicado oficial.
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Não vou ficar mais repetindo as coisas. Não vou mesmo. Repetir as coisas é um claro sinal de falta de engajamento. Repetir as coisas, as mesmas afirmações, como se a frase desse voltas no mesmo tema?! Não, isto é falta de engajamento. Mas repetir as coisas pode ser falta de assunto também. Nem vou mais usar palavras ordinárias. Pretendo, de agora em diante, não usar mais palavras ordinárias. Não mesmo. Pretendo rebuscar as frases. Fazer períodos longos. Subordinar mais as orações. E não repetir as coisas. Porque ficar repetindo as coisas é uma espécie de não-engajamento. E não não-engajamento é coisa de quem fica repetindo as coisas. Ou de falta de assunto também.
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A fotografia é de Julia Galdo.
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Quinta-feira, Outubro 22, 2009

(inter_ditado)

Este é um comunicado oficial.
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Este espaço foi interdidato por inúmeros motivos. Entre eles: um possível maltrato a animais (que está sendo investigado), a divulgação de literatura subversiva (há uma clara referência ao Manifesto Comunista na fala do pato), uma falta de engajamento ideológico com as idéias do nosso Governo, a repetição pedante de temas, a repetição excessiva de períodos e expressões (em linguagem que parece ironizar nossos slogans), o uso de siglas estranhas e palavras ordinárias e a utilização de fotografias não-realistas. Até segunda ordem, nada será publicado aqui. Este espaço foi interditado para o bem da nossa sociedade.
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A fotografia é de Marcio Nakamura.
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Quarta-feira, Outubro 21, 2009

(recompensa)

Eu tinha um pato na minha banheira, mas ele está sumido há dois dias. Imaginei que o tubarão que tenho na piscina tivesse comido o pato. Mas o tubarão que tenho piscina amava o pato. Amava de verdade. E está bastante chateado com o sumiço do pato. Um vizinho viu o pato há uns 200 metros daqui de casa. Espalhei cartazes: Procura-se um pato. Nome: Duck. Recompensa de 150 doláres. Mas nada. Ninguém ligou. Nem sinal do pato. Ele andava repetindo este slogan: Patos do mundo inteiro, uni-vos. Falava em melhorias nas condições de trabalho, afirmando a necessidade da união das aves, a urgência de greve geral, seguida de uma manifestação que mobilizaria governos e opinião pública. Enfim, ele era um pato engajado. Eu tinha um pato na minha banheira, mas ele está sumido há dois dias.
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A fotografia é de Sam Coldy.
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Terça-feira, Outubro 20, 2009

(duck_tales)

Eu tenho um pato na minha banheira, é claro. Ele chegou aqui em casa bem novo. Eu tenho uma piscina. Mas o pato não gosta da piscina porque não gosta do tubarão que vive lá. Já o tubarão não tem nada contra o pato. Nunca tentou comê-lo. Eu tenho um pato na minha banheira, porque não quero arrumar confusão. Algumas vezes tenho vontade de preparar o pato com um molho de laranja, porque o pato é muito chato. Parece um velho. Mas mesmo assim eu gosto bastante dele. Um pato é um pato e um pato é um pato. Por causa disso quis chamá-lo de Duck. Um pouco óbvio, eu sei. Mas não me importo, não me importo de verdade.
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A fotografia é de Wai Lin Tse.
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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

(duck)

Eu tenho um pato na minha banheira, é claro. Ele chegou aqui em casa bem novo, há uns dois anos e meio. Para quem tem um piscina em casa, não seria problema ficar com ele, uma vez que patos são aves aquáticas. Mas o tubarão já morava na piscina. Não que Dog, o tubarão, tivesse problema em dividir a piscina com o pato. Era o contrário: o pato não suportava o tubarão. Daí cedi minha banheira. Foi a melhor forma de resolver a questão, não tenho dúvida. Mas agora tenho dois problemas: o pato molha a casa inteira, quando vai dar seu passeio matinal e não posso mais usar a banheira. Como um pato é um pato, decidi chamá-lo de Duck. Um pouco óbvio, mas quase tudo é um pouco óbvio.
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A fotografia é de Lauren Dukoff.
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Sábado, Outubro 17, 2009

(dog)

Eu tenho um tubarão na piscina, é claro. A maior e primeira dificuldade foi a alimentação. Não que eu não saiba que tubarões comem carne. Mas gostaria de incluir, por questões financeiras, outros tipos de alimento, tipo frutas e legumes. Não deu certo. Passei, então, a alimentá-lo com peixe, frango e carne vermelha, que é a comida preferida dele. Eu tenho um tubarão na piscina há três anos. Eu gosto bastante dele. Ele é meu melhor amigo. E por ser meu melhor amigo dei a ele o nome de Dog. Mas esta já é uma outra história.
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A fotografia é de Sara Costa.
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