Sábado, Março 31, 2007

Sábado, parte 4


A trilha sonora do sábado foi basicamente esta: Ben Harper, "Diamonds on the inside" (2003), Rick Ross, "Port of Miami" (2006) e Marvin Gaye, "What's Going On" (1971). Chovia no dia que Marvin Gaye fez as fotos deste disco (só percebi um dia desses!)
Terminei o livro do César Aira. Agora, na próxima, vou reler as tragédias cariocas do Nelson Rodrigues e ler a poesia completa do Alexandre O´Neill.
Lembrei destes versos do Gonçalo M. Tavares: "É estranho: ela protege-me quando dorme. / Protege-me quando dorme".
Semana bacana essa!
E espero o milésimo gol do Romário!

Quinta-feira, Março 29, 2007

Ben Harper, Diamonds on the inside

Terça-feira, Março 27, 2007

César Aira + Niterói


Eu gosto de andar a pé. E estou lendo As noites de Flores, do argentino César Aira (foto). E neste livro algumas pessoas andam a pé. Eu sempre ando a pé em Niterói.
Na última Ficções, número 16, que tem uma entrevista com César Aira, Carlito Azevedo faz uma pergunta, e a resposta de Aira fala em andar e também em Niterói, vejam só:
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Revista Ficções: A história de As noites de Flores se passa no momento mais crítico da crise argentina. E aí, como aqui, uma das conseqüências da crise foi o medo da violência, que fez com que muita gente deixasse de sair à noite, freqüentar as ruas, umas das atividades "modernas" por excelência. Este livro é o seu modo de ver a rua e a cidade abandonanda pelos homens?
César Aira: Eu passo grande parte do dia na rua, quase diria que vivo na rua: faço duas longas caminhadas todos os dias, uma pela manhã e outra pela tarde. Escrevo em cafés, e saio sob qualquer pretexto. E não diria que a rua tenha sido abandonada, mas sim que se purificou: nos livramos daquele tipo de cidadão que fica dentro de casa vendo televisão e criticando o governo pela insegurança. Aqui fora ficaram as pessoas mais interessantes. Coisa que pude comprovar também no Brasil. Por exemplo, em Niterói, que é meu lugar favorito no mundo: Icaraí, São Francisco, Pendotiba. Essas ruas são toda a felicidade a que aspiro.
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Aira, são a minha felicidade também,
um abraço para vc, Franklin

Segunda-feira, Março 26, 2007

Sim, o Maraca é seu Romário!


Romário marca um, e Vasco faz festa
Baixinho marca o 999º na vitória por 3 a 0 sobre o Fla
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Foi por muito pouco, mas o milésimo gol de Romário não saiu. O Baixinho fez um e teve a chance de marcar outro no fim, mas não deu. Isso não estragou a festa cruzmaltina no Maracanã. O Vasco acabou com uma incômoda rotina de derrotas para o rival. Fez 3 a 0 e assumiu a liderança isolada do Grupo B do Campeonato Carioca.
Romário fez o terceiro e por muito pouco não marcou seu milésimo aos 43 minutos do segundo tempo. Bruno conseguiu defender um chute à queima-roupa. O gol histórico fica para quarta-feira, contra o Americano.

O Maracanã não viu o milésimo, mas vibrou com uma partida digna da tradição do clássico dos milhões. Jogo aberto, com chances para os dois lados desde os primeiros momentos.
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Em seis minutos, o Vasco esteve perto de abrir o marcador três vezes. Primeiro, com uma bobeada da zaga do Flamengo que quase deixou Romário livre para marcar. Depois, com o chute de Abedi e a cabeçada de Leandro Amaral. Em seguida, alguns minutos de domínio do Flamengo. Renato arriscou duas cobranças de falta que levaram perigo ao gol de Cássio.

O Vasco sufocava, mas a estrela da festa não aparecia muito. Romário quase não tocou na bola no primeiro tempo. Aos 41, arriscou uma cobrança de falta, mas sem muita mira. O vasco continuou melhor e um minuto depois finalmente abriu o marcador. Leandro Amaral recebeu na área, girou e chutou forte. A bola desviou de levinho em Irineu e entrou: 1 a 0.

Logo no início do segundo tempo, o Vasco começou a matar o jogo. Abedi recebeu de Leandro Amaral, arrancou com velocidade e chutou forte, sem chances para Bruno.

O Flamengo não reagia. E a situação ficou ainda mais complicada aos 14 minutos, quando Léo Moura deu um carrinho violento em Morais e foi expulso. A vitória cruzmaltina ficou ainda mais evidente. Paulinho teve de ser improvisado na lateral, e Renato ficou fixo como volante.

O Vasco passou a pressionar e a criar chances seguidas de ampliar o marcador. Aos 16, Abedi recebeu passe de Romário e marcou, mas o auxiliar apontou impedimento. O Baixinho perdeu uma chance aos 20, quando a bola sobrou na pequena área e ele tentou uma acrobacia para marcar, mas não conseguiu.
O 999º gol saiu aos 33 minutos em um contra-ataque mortal. Renato cruzou da esquerda e encontrou o Baixinho livre na pequena-área para escorar. Agora, só faltava um para o milésimo.

No fim, Bruno salvou o Flamengo de tomar o milésimo de Romário, defendendo com pé um chute á queima-roupa. Mesmo assim, os vascaínos comemoraram. E os rubro-negros saíram até aliviados...
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[Confira mais aqui]

Sábado, Março 24, 2007

Dias da semana

Segunda-feira: Pode começar amanhã?
Terça-feira: Pode sim, sem problema.
Segunda-feira: Então é quarta?!
Quarta-feira (gritando): Não, nem pensar.
Quinta-feira: E amanhã, pode ser?
Sexta-Feira: Pode sim, a gente se vê na rua!
Sábado: Ontem foi sexta!
Domigo: É, sexta é legal.

Quarta-feira, Março 21, 2007

Pleix Films presents "Birds"

Who Lets The Dogs Out?

Terça-feira, Março 20, 2007

Livro novo de Régis Bonvicino!!!



Página órfã é o novo livro de Régis Bonvicino: prefácio de João Adolfo Hansen e desenho de capa dos Osgemeos. Excelente, sensacional!!! Um poema do livro (que já apareceu aqui no Pesa-Nervos) + trecho de entrevista:

Extinção

O lobo-guará é manso
foge diante de qualquer ameaça
é solitário
avesso ao dia, tímido

detesta as cidades
onde quase sempre é atropelado
onívoro, com mandíbulas fracas
come pássaros, ratos, ovos, frutas

às vezes, quando está perdido,
vasculha latas de lixo nas ruas
engasga ao mastigar garrafas
de plástico ou isopores

se corta e ou morre ao morder
lâmpadas fluorescentes
ou engolir fios elétricos
morre ao lambar inseticidas

ou restos de tinta
ou ao engolir remédios vencidos
ou seringas e agulhas
descartáveis

dócil, sem astúcia,
é facilmente capturado e morto
por traficantes de pele
quando então uiva

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Último Segundo - "Página órfã" é uma coletânea de poemas escritos entre 2004 e 2006? Onde o leitor encontra uma unidade no livro?

Régis Bonvicino - "Página órfã" não é uma coletânea de poemas, mas um livro de poemas. Sempre criei meus livros como projetos de unidade e, agora, mais maduro, aos 52, este ato torna-se quase automático em mim. O leitor vai encontrar unidade no seguinte: tradição de vanguarda, ousadia, na construção dos poemas (e não me venham os manés, os dogmáticos da parvoíce, falarem em "concretismo" - maneira sórdida de tentar rasurar qualquer poesia que não esteja conforme a mediocridade -, porque falo de técnicas futuristas, dadaístas (nonsense), construtivistas de um modo geral (Drummond, Murilo Mendes e João Cabral no Brasil) e desconstrutivistas até, e exploração intensa de temas contemporâneos, antiliterários por natureza. Os poemas são diretos (legíveis), duros (críticos), políticos, falam de moda, de grafites, de beldades, de afetos dolorosos, de personalidades partilhadas pela mídia como Kate Moss, Gisele Bündchen, Caetano (Kaetán), de mendigos; não quis fazer poemas "bonitinhos", mas poemas "ordinários" (no sentido plurívoco da palavra), compondo uma visada pouco complacente - espero - em relação às cidades e seus clichês, às pessoas, ao Brasil e à própria idéia de "poesia" e de "arte" e inclusive a de "vanguarda" praticada entre nós - que abertamente questiono; afirmo idem que o livro não é proselitista, o que poderia parecer, pelo que acabei de dizer. Mas, como dizia Drummond, e eu concordo, quem melhor "fala" por um livro são seus poemas.

Segunda-feira, Março 19, 2007

Janelas

Ouverture La vien em Close
de Paulo Leminski

em latim
"porta" se diz "janua"
e "janela" se diz "fenestra"

a palavra "fenestra"
não veio para o português
mas veio o diminutivo de "janua",
"januela", "portinha",
que deu nossa "janela"
"fenestra" veio
mas não como esse ponto da casa
que olha o mundo lá fora,
de "fenestra", veio "fresta",
o que é coisa bem diversa

já em inglês
"janela" se diz "window"
porque por ela entra
o vento ("wind") frio do norte
a menos que a fechemos
como quem abre
o grande dicionário etimológico
dos espaços interiores

Sexta-feira, Março 16, 2007

The Verve, Bitter Sweet Symphony

Hoje eu andei um pouco, mas desviava das pessoas. Nem passei por cima dos carros. E nem estava com raiva.

Andei um pouco e voltei para casa. Bonde da caminhada (no final do clip a banda toda aparece)

E me lembrei disto também:

" - Indique-me sua direção, onde você se encontra agora?
- Estou exatamente na esquina da Rua Walk com a Rua Don´t Walk"

[do Poema Jet-Lagged, de Waly Salomão]

Excelente tudo isso. Viva o lado "andar" da vida!!!

Quarta-feira, Março 14, 2007

Kid Koala + Franklin Alves Dassie

Como tocar sem fones de ouvido?
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É só você conhecer seus discos. Sei que conhecia bem

as avenidas de Palm Beach

Você tem que etiquetar as partes do disco

desenhar setas e linhas no adesivo

Desenhar linhas e setas com uma caneta vermelha

isto não é um mapa, por favor

Além disso, você precisa contar as rotações do disco

e as rotações do disco são contadas assim:

_____________________________

Depois de algumas semanas (snow birds chegam no verão, para

fugir do frio do norte), já sei onde estão os trechos

É como tocar guitarra sem olhar para os dedos. É como beijá-la de olhos

fechados e fugir da pequena cicatriz que tem nas costas

E você sabe onde estão as notas depois de um tempo

(nascem sabendo, ela sempre perguntava)

Só que ao contrário de uma guitarra, cada disco é diferente

e você tem que aprender tudo sobre ele. E sobre ela, sobre cada

nota improvável, cada desatino, cada rotação etc.

Depois de um tempo, fica natural (não foi mais natural

depois do arranhão na última faixa do disco, Chicago,

a minha preferida)

Não foi natural a última linha

que desenhei na etiqueta branca, com aquela caneta vermelha

de Palm Beach
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[revista IR 19, p. 66-67]

Terça-feira, Março 13, 2007

Escolha um lugar destes, ia?!

Um poema de C. Tarkos

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Italia, Armenia, Tchequia, Bolivia, Hungria, Gambia, Tunisia, Birmania, Bugaria, Turquia, Chilia, Tchetchenia, Libia, Australia, Aseria, Romenia, Indonesia, Eslovaquia, Colombia, Albania, Bosnia, Siria, Russia, Eslovenia, Malasia, Mongolia, Burundia, Macedonia, Malia, Mauritania, Alemania, Surinamia, Letonia, Gabonia, Bielorussia, Ugandia, Tobaguia, Esvasilia, Paquistania, Samoia, Coecia, Principia,Bengalia, Ruandia, Reinunia, Dominicania, Vanuacia, Irania, Chipria, Coreia, Zambia, Lucia, Bissolia, Ucrania, Uruguia, Suecia, Portuguia, Quirguisia, Papuasia, Lituania, Srilanquia, Guinia, Chinia, Nigeria,Croacia, Argelia, Belgia, Marfinia, Japonia, Maltia, Malavia, Abcasia, Quiribacia, Servia, Salvadoria, Estadunidia, Ossecia, Vicencia, Quenia, Bareinia, Moldavia, Fidia, Estonia, Moçambiquia, Panamia, Djibutia, Dominiquia, Maldivia, Venezuelia, Arabia, Marroquia, Angolia, Leonia, Filipia, Francia, Angolia, Gania, Canadia, Senegalia, Guatemalia,Botsania, Sudania, Omania, Comoria, Suiçia, Zelia, Tuvalia, Polonia, Nauria, Iraquia, Mexiquia, Cataria, Grecia, Nordia, Taiania, Haitia, Munia, Austria, Tanzania, Liechtensteinia, Paragüia, Brasilia, Conguia, Georgia, Antiguia, Campuchia, Azerbaijia, Anobonia, Finlandia, Iemenia, Iria, Luxia, Madagascaria, Emiradunidia, Cingapuria, Dinamarquia, Camaronia, India, Islia, Tadiquia, Nicaraguia, Vietnania, Belisia, Cubia, Riquia, Burkinia, Nepalia, Tchadia, Guiania, Israelia, Tailandia, Afegania, Gabonia, Turcmenia, Salomonia, Nigeria, Caboverdia, Zimbabuia, Mauricia, Bruneia, Honduria, Zairia, Argentinia, Laossia, Palestinia, Etiopia, Jamaiquia, Uzbequia, Equatoria, Somalia, Libania, Toguia, Tonguia, Namibia, Paisbaixia, Casaquia, Butania, Seychelia, Peruania, Egitia, Sulafricania, Centrafricania, Jordania, Nevia, Nagornia, Liberia, Beninia, Barbadia, Espanhia, Tataria, e tem-se o mundo inteiro, o mundo todo, todos os lugares onde se pode por os pés são esses lugares, o lugar completo, não é possível por os pés mais longe, noutro lugar além deste, o mundo está aqui.
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[tradução de Rafael Viegas, Inimigo Rumor 18]

Sábado, Março 10, 2007

PJ Harvey, This is love

[do disco "Stories from the city, stories from the sea" (2000)]

Sexta-feira, Março 09, 2007

Que mão é essa?! Tira daí!!!


Escutando The Smiths, agora pela tarde, selecionei algumas coisas:
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De Panic: "Burn down the disco / Hang the blessed DJ / Because the music that they constantly play / IT SAYS NOTHING TO ME ABOUT MY LIFE / Hang the blessed DJ".
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De Ask: "So, if there's something you'd like to try / If there's something you'd like to try / Ask me - I won't say no - how could I?".
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De There's A Light That Never Goes Out: "Take me out tonight / Because I want to see people and I want to see light, / Driving in your car / Oh please don't drop me home / Because It's not my home, / It's their home / And I'm welcome no more".
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Um poema dele, Frank O´Hara
[tradução de Luiza Franco Moreira]
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Meu coração
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Não vou chorar o tempo todo,
também não vou rir o tempo todo,
não prefiro um “gênero” ao outro.
Quero ter a imediatez de um filme ruim,
não só os de repente bons, mas também a nova
super-produção recém lançada. Quero estar
tão vivo quanto o que é vulgar, pelo menos.
E se algum aficcionado da minha tralha vier dizer:
“Isso mal parece que é do Frank!”, ótimo! Eu
não uso terno cinza ou marrom o tempo todo,
uso? Eu não. Vou à ópera de camisa,
muitas vezes. Quero os pés descalços,
o rosto barbeado, e o coração –
não dá para planejar o coração, mas
a melhor parte dele, a minha poesia, é aberta.

Quinta-feira, Março 08, 2007

We want Miles, we want Bataille!


de Miles Davis:
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“I'm always thinking about creating. My future starts when I wake up every morning . . . Every day I find something creative to do with my life.”-
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de Bataille:
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Informe
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Um dicionário começaria a partir do momento em que não desse mais o sentido mas as tarefas das palavras. Assim, informe não é apenas um adjetivo tendo tal ou tal sentido mas um termo que serve para desclassificar, exigindo geralmente que cada coisa tenha sua forma. O que ele designa não tem seus direitos em sentido algum e se faz esmagar em toda parte como uma aranha ou um verme. Seria preciso, com efeito, para que os homens acadêmicos ficassem contentes, que o universo tomasse forma. A filosofia inteira não tem outra meta: trata-se de dar um redingote ao que é, um redingote matemático. Em compensação, dizer que o universo não
se assemelha a nada e que ele é apenas informe equivale a dizer que o universo é algo como uma aranha ou um escarro.
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(in Documents, no 7, dezembro de 1929)
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[tradução de Marcelo Jacques de Moraes e João Camillo Penna, na revista Inimigo Rumor 19, confira aqui as datas e os locais de lançamento]
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Feliz dia internacional das mulheres!!!

Terça-feira, Março 06, 2007

Charles Mingus, Beneath the Underdog



- Em outras palavras, eu sou três. Um homem fica sempre no meio, despreocupado, sem se emocionar, observando que lhe permitam expressar o que ele vê para os outros dois. O segundo homem é como um animal assustado que ataca por medo de ser atacado. E, então, há uma pessoa gentil e superamorosa que acolhe as pessoas no templo mais sagrado do seu ser, aceita insultos, confia, assina contratos sem ler, cair na conversa dos outros e acaba trabalhando barato ou de graça, e quando percebe o que lhe fizeram tem vontade de matar e destruir tudo ao seu redor, inclusive a si mesma por ter sido tão estúpida. Mas não consegue, e volta para dentro de si mesma.

- Qual deles é real?

- São todos reais?

- O homem que obsersa e espera, o homem que ataca porque tem medo e o homem que quer confiar e amar mas recua cada vez que se sente traído. Mingus Um, Dois e Três. Qual é imagem que você quer que o mundo veja?

[do livro Saindo da sarjeta: a autobiografia de Charles Mingus, 2005]

Segunda-feira, Março 05, 2007

Outro poema de Marília Garcia



39º34’13.26” N 2º20’49.50” E (DIZ EM CATALÃO)
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I.
quando o vir
estará de verde musgo
com o caderno aberto para
esconder a cara. poderá ser tarde demais ou cedo.
nunca chega na hora certa: a sirene alta
atirando seus pedaços na parede do
túnel.
ali tinha um contexto
de tudo, não seguir falando
sem o ritmo adequado
ou o que tivesse ganas.
agora a voz que chega não tem
sons. a quantidade de ar entre eles
e o deslocamento
para chegar.
(pensar que em outros tempos
ouvia sermões a dois
passos de casa
ou saía para ler no parque)
– sim, está tudo bem agora,
toquei duas horas de
piano e mais duas
de corrida.
(embora quisesse
dizer algo diferente)
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II.
todas as igrejas com suas torres
redondas e a paisagem não muda nunca.
pode ficar ouvindo o que dizem
deitado no estofado de trás
por duas noites seguidas, mas depois
não sabe para onde vai
para que direção
segue a estrada
no livro perdido apenas um
nome:
amalfitano.
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[do livro 20 poemas para seu walkman, 2007, CosacNaify, confira as datas do lançamento aqui]

Domingo, Março 04, 2007

Um outro poema de Jacques Roubaud

O Rei Leão:

poema em cor preta e branca

Nada de confundir o gado
com a pequena bicharada
o rato do campo fica irado
se o tomam por um cevado

Não confundam os passarinhos
com as pessoas avícolas
a periquita fica louca
se a assimilam à galinha

Mas o le-ão o Rei le-ão
não teme essa confusão
com seu urrante megahair

ele dispensa os elefantes
para a alegria dos infantes
da Metro-Goldwin-Mayer

[do livro Os animais de todo mundo, 2006, tradução Marcos Siscar e Paula Glenadel, CosacNaify]

Sexta-feira, Março 02, 2007

02032007


Esta foi a primeira foto que vi da série Dog days, do norte-americano Alec Soth (que sempre está aqui no Pesa-Nervos)
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As três primeiras frases do novo romance de Paul Auster ("Viagens no scriptorium", Cia das Letras, 2007) são estas: "O velho está sentado na beira da cama estreita, mãos espalmadas sobre os joelhos, cabeça baixa, olhando fixo para o chão. Não faz idéia de que há uma câmera instalada no teto, bem em cima dele. Em silêncio, o obturador clica de segundo em segundo, produzindo oitenta e seis mil e quatrocentas fotos a cada revolução da Terra";
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"Perguntas sobre a diferença entre" é o nome da primeira parte do livro "20 poemas para seu walkman" de Marília Garcia. Svetlana é o primeiro poema do livro;
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A primeira música de Kind of blue de Miles Davis é "So what";
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A banda Nouvelle Vague, no disco Band a part, regravou uma canção do The Wake ("O Pamela"). Estes são os primeiros versos: "This a page from my diary / The fifteen day of November / This a page from my diary / What happened that day / I don't remember";
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Hoje não escrevi nada: felizmente foi o primeiro dia do ano sem nenhuma página, nenhum parágrafo, nenhuma explicação;
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Ontem foi o primeiro dia mais bacana do ano.

Quinta-feira, Março 01, 2007

Jenny Holzer, um poema

Eu entro/ eu te vejo/ eu te observo/ eu te examino/ eu te espero/ eu te faço cócegas/ eu te provoco/ eu te respiro/ eu converso/ eu toco no seu cabelo/ você é a pessoa/ você é a pessoa que fez isso comigo/ você me pertence/ eu te mostro/ eu te sinto/ eu te pergunto/ eu não pergunto/ eu não espero/ eu não te pergunto/ eu não posso te contar/ eu minto/ estou chorando muito/ havia sangue/ ninguém me contou/ ninguém sabia/ minha mãe sabe/ eu esqueço seu nome/Eu não penso/ eu escondo minha cabeça/ eu escondo sua cabeça/ eu escondo você/ minha febre/ minha pele/ eu não consigo respirar/ eu não consigo comer/ eu não consigo andar/ eu estou perdendo tempo/ estou perdendo chão/ não posso agüentar isso/ eu choro/ eu grito/ eu mordo/ eu mordo seu lábio/ eu respiro sua respiração/ eu pulso/ eu rezo/ eu rezo em voz alta/ eu cheiro você na minha pele/ eu digo a palavra/ eu digo seu nome/ eu te cubro/ eu te abrigo/ eu fujo de você/ eu durmo ao seu lado/ eu cheiro você nas minhas roupas/ eu guardo suas roupas.