Quinta-feira, Maio 31, 2007

Timbaland, Give it to me (feat. Justin + Nelly Furtado)

[da série "que pressão é essa?!"]
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quase-dançando, parte 2!

Quarta-feira, Maio 30, 2007

Chove, faz frio, quase neva


Chove, faz frio e quase neva (exagero, é claro). Alec Soth, porque nevou em Minnesota (Peter's Houseboat, Winona, Minnesota 2002). E quando chove algumas pessoas gostam de ficar em casa. Eu gosto de sair quando chove. Eu gosto das ruas.
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Eu gosto muito da primeira parte do poema 171196, de Régis Bonvicino: "Nunca morei numa rua chamada Vidro. Chutei uma vez paralelepípedos. Cada dia passava como se num espelho - de ecos. Telefones, fios. Uma vez andei de barco num lago. Nunca me vi em meu próprio reflexo. Falas, conversas-uma só figura e pessoa. Alto-falante mudo. Também morei num apartamento minúsculo. Gosto do nome das ruas de alguns amigos. Amherst, Mílvia, Sírius. Não tenho tempo para nada. Meus cabelos caíram. Talvez isto seja tudo".
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Mário Faustino há quase meio século atrás: "Falta de preparo suficiente. A hesitação já aludida, a dificuldade em tomar posições definidas. A apologia propriamente dita: Melhor é estar errado e fértil do que certo e estéril".
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Agora, só para me desdizer, abriu um sol!!!
[saudade, abraço, beijo]

Terça-feira, Maio 29, 2007

Terça-feira, 29


Jake Gyllenhaal, porque ele é namorado da Reese Witherspoon. E porque as meninas reclamaram que não há fotos de meninos aqui. Então, agora há.
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César Aira, no livro As noites de Flores: "Sabia, porém, que não era necesária uma relação. Podia-se criá-la como um ato poético da vontade". E páginas antes dessa: "De fato, ele estava com a cabeça tão confusa que nem sequer conseguia pensar uma coisa de cada vez. Porque é que eu tenho que fazer tudo sempre direitinho?, perguntava-se. E se eu não fizesse as coisas direito? E se eu fizesse alguma coisa malfeita, por uma vez que fosse?".
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E porque eu tenho coisas a fazer, beijos!

Saul Williams, Black Stacey

Porque tenho lido tanta besteira que cada vez mais gosto de música.
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Porque eu gosto destes versos do Saul: "I think I'm too black / I think I'm too black / I think I'm too black / I think I'm too black / Mom, do you think I'm too black? I think I'm too black".
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Porque há no clip uma referência a Fela Kuti!
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Porque este som está no disco que também não pára de tocar aqui.

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Radiodread e outras coisas


Radiodread (2006) é o segundo disco do Easy Star All-Stars. Radiodread é uma "recriação" de Ok computer (1997), disco fundamental do Radiohead. Jamaica e Londres, sim, Jamaica e Londres. Radiodread tem participações de Horace Andy, Frankie Paul, Toots & The Maytals, Israel Vibration e outros. É o disco que não pára de tocar aqui (o clip de "Let down" está antes desse post). Radiodread é o disco, não há dúvida.
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A primeira regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta (tudo bem, não vou falar nada, nem uma palavra sobre o clube da luta).
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Copiado da última edição da revista Bravo. Cadernos de elefante: "O planeta está ecologicamente em crise, quanto a isso parece haver poucas dúvidas. E partindo para uma ação radical a Elephant Poo Poo Paper propôe o consumo de cadernos, blocos de notas e outros artigos em papel feitos diretamente de estrume de elefante, que é coletado "naturalmente de elefantes em parques e zoológicos. Para crises extremas, medidas extremas".
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Perguntaram o seguinte a Gonçalo M. Tavares: "Prefere um leitor (dos seus livros) satisfeito ou perplexo?" E ele responde isto: "Talvez o prefira, no final, satisfeito por estar perplexo. Alguém ficar intrigado é, julgo eu, um ganho. Há uma satisfação diferente quando se entende tudo por completo ou quando se entende em parte, e a parte que falta provoca mudanças, curiosidade, etc. Eu, pessoalmente, como leitor não gosto de ler aquilo que já sei ou estou à espera".
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Satisfeito e perplexo, escrevendo no meu caderno da Poo Poo Paper e escutando Radiodread, fico por aqui. Boa semana, beijos!!!

Easy Star All-Star, Let Down

Sexta-feira, Maio 25, 2007

Sexta-feira, 25


Andreas Gursky, outra dica de Marília. Não é difícil descobrir o motivo dessa imagem estar aqui - os motivos são quase sempre os mesmos. Outras respostas para Ron Silliman: Não sei. Quero. Chuva. Não há praia. Não. Morfina. Claro. Quem sabe. Para o céu. Sempre. Um remédio. Pleonasmo? Quem perguntou? As mãos. Nenhuma. Há sim. Em breve. Um dia talvez.
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E com vocês, Hans Magnus Enzensberger, "Identificação policial" (também não é difícil descobrir o motivo): Este não é Dante / Esta é uma fotografia de Dante / Este é um filme no qual aparece um ator que finge ser Dante / Este é um filme em que Dante faz o papel de Dante / Este é um homem que sonha com Dante / Este é um homem que se chama Dante, mas não é Dante / Este é um homem que imita Dante / Este é um homem que sonha que é Dante / Este é um homem que é a imagem escarrada de Dante / Esta é uma figura de cera de Dante / Esta é uma criança trocada ao nascer, um gêmeo, um duplo / Este é um homem que se toma por Dante / Este é um homem que todos, menos Dante, tomam por Dante / Este é um homem que todos tomam por Dante, só ele próprio não acredita nisso / Este é um homem que ninguém toma por Dante menos Dante / Este é Dante. (tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
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Nada, ninguém, nenhum. Eu não sou Dante. Escrevo vinte e cinco vezes a mesma palavra. E essa palavra não é Dante. Estou falando coisas sem sentido (ah, isso não é difícil de perceber), thanks very much!!!
Bom fim-de-semana, até segunda!!!

Quarta-feira, Maio 23, 2007

Lado B


Este post acredita em Reese Witherspoon. Acredita na revolução dos posts, e na dos bichos também. Este post acredita nos cachorros que ficam em janelas. Este post acredita também em Baudelaire, William Dafoe, Apollinaire, LCD Soundsystem, John Coltrane, Miles Davis, César Aira, Timbaland, Walter Benjamin, Gertrude Stein, Drummond, Jenny Holzer, Art Spiegelman, Saul Williams, Susan Sontag (o que seria dele sem vocês?!). Este post acredita, ainda, em mim e em você, meu caro leitor/a.
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Este post anota algumas frases que escuta nas ruas: "olha, amiga, as bananas-maçãs que ela trouxe". Este post anota expressões que encontra em revistas: "violentamente feliz". Este post é uma caderneta.
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Este post é o "lado b" dos posts. Este post, caso você queira, é uma homenagem a Charles Bernstein, que escreveu um poema chamado "Obrigado por dizer obrigado". Este post também diz "obrigado por dizer obrigado" e "obrigado por acreditar em mim".
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Este post termina aqui, porque ele precisa ir: viva o "lado b" da vida!!!

Terça-feira, Maio 22, 2007

Stanton Warriors + Sway, Get em high

[da série "que pressão é essa?!"]
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quase-dançando!

Lado A


Alec Soth, da série "Dog day, Bogotá". Porque eu gosto do Soth, de cachorros, e porque esse cachorro está numa janela, e eu gosto das janelas.
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"As noites de Flores", de César Aira, termina assim: "O Amor Puro criava uma energia que se expandia até os recantos mais longínquos do Universo. Naquela noite, houve uma reacomodação das estrelas no firmamento e se formou uma constelação nova, bem acima de Flores, na qual muitos quiseram enxergar os itinerários das rotas de entrega das pizzas e a chamaram de constelação "Delivery". Excelente, Aira, muito obrigado, obrigado mesmo!
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Outro argentino, Borges: "Meu pai era muito inteligente e, como todos os homens inteligentes, muito bondoso. Certa vez disse-me que prestasse muita atenção nos soldados, nos uniformes, nos quartéis, nas bandeiras, nas igrejas, nos sacerdotes e nos açougues, já que tudo isso iria desaparecer, e eu poderia um dia contar a meus filhos que vira essas coisas" (Um ensaio autobiográfico). Borges, nada disso desapareceu, nada mesmo.
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Então, viva o "lado A" da vida.

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Segunda-feira


Albert Hammond Jr. é guitarrista dos Strokes. Call an Ambulance é o primeiro single (clip estranho mas legal). Capinha bacana: três coelinhos (são amiginhos ou parentes?!). Entre os discos mais tocados aqui: Saul Williams, Daft Punk (Homework, 1997), Bjork (Volta, 2007) e The Rapture (Pieces of the people we love, 2006). Entre os mais esperados: Easy Star All-Stars (Radiodread, 2006) e Gogol Bordello (Gypsy Punks Underdog World Strike, 2005). Mais esperados porque, às vezes, o e-mule não contribui.
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Jacques Roubaud quase pergunta: "que faire d'un monde qu'on ne dit pas / que fazer de um mundo que não se diz".
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Eu entro/ eu te vejo/ eu te observo/ eu te examino/ eu te espero/ eu te faço cócegas/ eu te provoco/ eu te respiro/ eu converso/ eu toco no seu cabelo/ você é a pessoa/ você é a pessoa que fez isso comigo/ você me pertence/ eu te mostro/ eu te sinto/ eu te pergunto/ eu não pergunto/ eu não espero/ eu não te pergunto/ eu não posso te contar/ eu minto/ estou chorando muito/ havia sangue/ ninguém me contou/ ninguém sabia/ minha mãe sabe/ eu esqueço seu nome/Eu não penso/ eu escondo minha cabeça/ eu escondo sua cabeça/ eu escondo você/ minha febre/ minha pele/ eu não consigo respirar/ eu não consigo comer/ eu não consigo andar/ eu estou perdendo tempo/ estou perdendo chão/ não posso agüentar isso/ eu choro/ eu grito/ eu mordo/ eu mordo seu lábio/ eu respiro sua respiração/ eu pulso/ eu rezo/ eu rezo em voz alta/ eu cheiro você na minha pele/ eu digo a palavra/ eu digo seu nome/ eu te cubro/ eu te abrigo/ eu fujo de você/ eu durmo ao seu lado/ eu cheiro você nas minhas roupas/ eu guardo suas roupas. (Jenny Holzer, outra vez aqui).
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Boa segunda, boa semana!

Sexta-feira, Maio 18, 2007

Porque, parte 2


Porque Andy Warhol gostava das repetições, Elvis duplicado. Porque Andy, no seu livro A minha filosofia de A e B, diz o seguinte: "Mal acordo, telefono a B. B é sejam quem for que me ajude a matar o tempo. B é qualquer pessoas e eu não sou ninguém. B e eu". Estranho mas legal. Porque eu sou Elvis agora, e vou cantar. Porque eu gosto do Bataille: "A arquitetura é a expressão do próprio ser das sociedades, da mesma maneira que a fisionomia humana é a expressão do ser dos indivíduos". Porque eu sou uma janela.
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A postagem de hoje é a de número 210.
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Porque eu gosto do Millôr, umas "lissões de coizas", todas de 1946 (coisas são bacanas, eu gosto): "Uma bola é o que rola; Branco é o sem cor nenhuma nele; Cachorro é onde a gente bota a culpa duma porção de coisas que foi a gente que fez; Buraco é o que sobra quando se tira terra de dentro dele; Botão é pra gente andar sempre desabotoado; Quente é o que a gente procura quando está frio, frio". Então, hoje nem está frio, e bizarro é aquilo que é legal.
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Porque hoje é sexta-feira, ontem foi quinta e anteontem, quarta!

Quinta-feira, Maio 17, 2007

The Rapture, Pieces of the people we love

[Então, para quase-dançar, para dançar e para dançar muito]

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Respostas, janelas etc.


Jenny Holzer, sim, Jenny Holzer, numa fotografia de uma instalação. Em Nova York, é claro (ou não!). E as perguntas de Ron Silliman?! Ah, algumas respostas: Não sinto. Não dói. Nem é suave não. Gosto mas pouco. Disso não gosto. Não, não é assim. Agora está melhor. Não, não está. Sim, respiro. Não, é ela. Bem perto. Não, não é. Sim, é frio. Pesa, como pesa. Claro, já te disse. Não. Não, são miragens. No próximo ponto, tenha paciência. Não sei. Está quase na hora. Nem é preciso. Amarelo. Hoje ele não veio. Claro. Não, ainda não. Prefiro sim. Ah, um mosquito. Sim, é o vermelho. Meu pé. Daqui a pouco saímos. Era almoço, não jantar. Custa bem barato. Não, espanhol e francês.
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Excelente e sensacional este diálogo de A falecida (1953), de Nelson Rodrigues:
Tuninho - Vamos meter uma praia?
Zulmira - Não.
Tuninho - Vamos! Agora, que eu estou desempregado, podíamos aproveitar, ir todo dia à praia!...
Zulmira - Deus me livre!
Tuninho - Por quê, ué?
Zulmira - Sabe aonde eu fui hoje?
Tuninho - Não.
Zulmira - À igreja teofilista!
Tuninho - Que mágica é essa?
(Zulmira agarra-se ao marido. Veemente, fanatizada)
Zulmira - Eu me converti, Tunhinho! Vou me batizar outra vez!
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Ah, e as janelas? Então, janela (s.f): "abertura ou vão na parede externa de uma edificação ou no corpo de um veículo, que se destina a proporcionar iluminação e ventilação ao seu interior, ao mesmo tempo que, com ou sem a intermediação de material transparente ou translúcido (em geral, vidro), facilita a visibilidade da paisagem exterior". É, a "visibilidade da paisagem exterior".
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Beijos, abraços, saudades, até amanhã!
Ah, Juju, feliz aniversário: paz e saúde pra vc!!!

Terça-feira, Maio 15, 2007

Porque...


Alec Soth outra vez, quase todos os dias aqui, porque eu gosto dessa foto dele (12/01/07). De Gonçalo M. Tavares, me lembro disto, porque também falo sozinho: "APESAR de a sala estar praticamente vazia o senhor Brecht começou a contar as suas histórias".
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Porque às vezes a gente fica sem dinheiro, Gertrude Stein (obrigado Marília pelo poema): "Na Rússia eles tentaram decidir que dinheiro não é dinheiro, mas agora devagar e certo eles estão voltando a saber que dinheiro é dinheiro. Que você queira ou não, dinheiro é dinheiro e é isso aí". Um real ae, por favor!?
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Porque a Jenny Holzer sempre está aqui, me lembro desta: "FEAR IS THE MOST ELEGANT WEAPON, YOUR HANDS ARE NEVER MESSY". E desta também: "FEAR FEEDS ON FEAR".
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E porque já falei muito, vou ficar quieto agora (um minuto de silêncio).

Segunda-feira, Maio 14, 2007

Don gon do it!


Don gon go it é a música que abre o segundo disco do The Rapture, "Pieces of the people we love", de 2006. Eu escuto Don gon go it umas dez vezes por dia ou mais (sim, estou viciado). Don gon do it faria sucesso nos anos 70, nos 80 (nos 90 eu acho que não). Enfim, calma ae, vai tocar outra vez!
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(espaço reservado aos leitores)
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Então, porque eu gosto das repetições: "Eu acordei muito cedo, porque eu tinha que chegar no trabalho muito cedo, porque, no dia anterior, eu tinha deixado muito trabalho por fazer, porque eu tinha acordado muito cedo e não tinha conseguido fazer todo o trabalho que eu tinha pra fazer, porque eu passei o dia todo com muito sono e não consegui me concentrar no trabalho que eu tinha pra fazer, porque eu estava muito tenso, porque, seu o meu chefe percebesse que eu não conseguia me concentrar, porque eu estava com muito sono, ele ia me dar uma bronca, porque o trabalho que eu tinha pra fazer era muito importante pro meu chefe, porque, se o trabalho que eu tinha pra fazer fosse feito, o chefe do meu chefe não daria uma bronca no meu chefe, porque a firma onde o chefe do meu chefe, o meu chefe e eu trabalhamos conseguirira agradar o cliente que pediu o trabalho, que eu tinha pra fazer, pra firma onde o chefe do meu chefe, o meu chefe e eu trabalhamos" (André Sant'Anna, Minhas memórias, Moby Dick, 2001).
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Boa semana, boa segunda, saudade de todos!

Domingo, Maio 13, 2007

Saul Williams, List of Demands

Frenético e nervoso o som, muita coisa aqui; Saul Williams, muito prazer!!
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Até outro dia, porque eu tenho a minha "list of demands" também.

Good news for people who love bad news

Devon Aoki, porque ela veste Versace. E porque ela é bacana, eu gosto. Nem vou comentar nada da coleção Autumn/Winter 2007 de Alexander McQueen, nem uma palavra. Mas posso, sim, falar da trilha sonora de hoje, de ontem e de anteontem: The Rapture, Pieces of the people we love (2006), Stanton Warriors, Stanton sessions vol.2 (2006), que tocam dia 19 de maio em Berlin e ainda Timbaland & Magoo, Under Construction Part II (2003). Ah, "Good news for people who love bad news" é o título de um disco do Modest House. Ah (parte 2), esperando o disco do Saul Williams chegar (vai e-mule, vai!!!). Escrevo isso numa camisa Marc Jacobs de cinco anos atrás, já que o amor não é tudo.
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Mas você só anda escutando música e preocupado com a moda, não lê mais nada, alguém pergunta.
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Não, eu nem gosto de ler. Mas tem um poema do Nathan Zakh, traduzido pela Cecília Meireles, na antologia Poesia de Israel, que é bacana: "Aquele que tropeçou, tropeçou / dizem / que aquele que traiu traiu / dizem / que aquele que está só está só / dizem / que aquele que partiu partiu / dizem / que aquele que esqueceu esqueceu / dizem / que aquele que não está contigo / dizem que se foi embora / dizem que esqueceu".
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Mais um post estranho. Em tempo, feliz dia das mães!!!

Sexta-feira, Maio 11, 2007

LCD Soundsystem, All My Friends

[Até agora não entendi nada do clip - como assim?! Mas o som é bom, e o disco melhor ainda]

What about it?


O disco novo da Björk se chama Volta, com produção do Timbaland. Timbaland?! É, ele mesmo. Timbaland é bacana, eu gosto. Outro cd que faz parte da trilha sonora da semana, Sound of Silver, 2007, do LCD Soundsystem. LCD é bacana, eu gosto também.
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Do livro O senhor Calvino, de Gonçalo M. Tavares, Casa da Palavra, 2007, seleciono "Uma manhã", eis aí:
Por vezes, Calvino obcecado pelos métodos:
- Interesso-me de muitas maneiras pela mesma coisa.
Outras vezes, obcecado pelas coisas:
- Interesso-me da mesma maneira por muitas coisas.
Algumas vezes, embaralhado:
- Interesso-me ao mesmo tempo de muitas maneiras por muitas coisas.
Hoje, ao acordar, preguiçoso:
- Não me interesso por nada, porém faço tal coisa de muitas maneiras diferentes.
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Uma da Jenny Holzer, que eu também gosto: IT DOESN'T SEEM TO BE A PAINLESS ARRANGEMENT BUT IT ENSURES THAT ONE DAY FOLLOWS THE NEXT, THAT THERE IS ALWAYS ANOTHER CHANCE. Ah, outra dela: WE MUST, HOWEVER, CONDUCT OURSELVES HUMANELY.
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Bom fim-de-semana, boas respostas, boas perguntas.
Desistir?!, acho que não.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Everything But The Girl, Missing

Uma música antiga mas bem legal, com umas cenas que se repetem.
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and I miss you
- like the deserts miss the rain.

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Mais perguntas?!


Mais perguntas: Por que está chovendo? Por que eu ainda estou com sono? Por que essa fotografia do kid koala? Por que o You Tube anda sabotando os posts aqui? (é, por isso não tenho colocado mais clips, depois de algumas tentativas). Duas outras perguntas de Ron Silliman: How is a sentence true? Do you see that woman in the crosswalk, turning first this way and then that, as if dazed, uncertain as to the way to go?
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E os poemas, alguém pergunta?!
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Benjamin Prado, outra vez (a tradução é de Marília Garcia): "Penso em tudo isso enquanto te escrevo outro poema; / enquanto digo: / Você é Patti Smith olhando para uma auto-estrada. / Eu sou o primeiro dia de Lorca em Nova Iorque / Você é Sylvia Plath sentada em um terraço. / Você é Robert Lowell sonhando com um rio". E mais um trecho: "E logo penso: / — Este poema é Sylvia Plath da mesma forma / que chamamos de vento a uma árvore que se move. / Mas escrevo: / Eu sou você e eu correndo pelas ruas de Londres. / Você é Virgínia Woolf em uma casa vazia". Este poema se chama SYLVIA PLATH EM MADRI (1932-1963).
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Então, é isso, sem mais perguntas.

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Perguntar não ofende


Sunset Debris, de Ron Silliman, é um livro só de perguntas. Começa assim: " Can you feel it? Does it hurt? Is this too soft? Do you like it? Do you like this? Is this how you like it? Is it airight? Is he there? Is he breathing? Is it him? Is it near? Is it hard? Is it cold? Does it weigh much? Is it heavy?". E termina assim: "Can you taste it? Can you feel it? What about it?".
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Faço as minhas: Por que isso tudo? Por que acordar com sono ainda? Por que falar sozinho? Por que sim? Por que não?
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Outra vez Gertrude Stein, outra vez na tradução de Augusto de Campos: "Uma espécie em vidro e um primo, um espetáculo e nada estranho uma única dor ferida e um arranjo em um sistema para apontar. Tudo isso e não ordinário, não desordenado em não parecer. A diferença está se espalhando". (Uma Garrafa, Isto É um Vidro Cego).
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Ah, a imagem (que quase ninguém vai ver) é de "osgemeos". Prometo um poema para manhã, quem sabe da Wislawa Szymborska.

Sábado, Maio 05, 2007

Para entender ou não entender


Eva Mendes, porque ela aparece num clip dos Strokes. E porque Room on fire, o segundo deles, foi o disco de hoje, sábado. E porque eles não penteam os cabelos e usam roupas sujas (quer dizer, fazem isso parecer verdade). E deles: see, people they don't understand.
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Por falar em não entender: um escritor argentino, não me lembro agora quem, disse que John Cage tinha um método bastante simples para saber de quais livros ele gostava: Cage gostava mais daqueles que não entendia. Caso entendesse, os abandonava sem nenhum problema.
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De Olivier Cadiot, publicado na IR 16 (tradução de Marcelo Jacques de Moraes), me lembro disso: "Não compreendo as palavras, é comigo que ela está falando, é certo, mas não na boa velocidade, comprido, grave, lento demais, sombrio, ela arregala os olhos abanando a cabeça para me dizer sim, ela articula sim para mim (...)".
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Aliás, por que isso tudo?!

Sexta-feira, Maio 04, 2007

Daqui, sexta-feira


Não tinha nada para dizer hoje, mas vou dizer. A imagem é de Lise Sarfati (Kathryn #32, Oakland, CA, 2003), dica de Marília Garcia.
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Outra coisa que vou dizer: Gertrude Stein na tradução de Augusto de Campos, no livro Poesia da recusa. Dela, seleciono isto: "Eu te erro / Como um tão / Eles não vão / Uma nota / Eles não notam / Uma bota / Eles não anotam / Eles dotam / Eles não dão / Eles como denotam / Milagres dão-se / Dão-se bem / Dão-se muito bem / Um bem / Tão bem / Como ou como presentemente / Vou recitar o que a história ensina. A história ensina". Então, agora leia, por favor, em voz alta...Leu?!
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Não ia dizer nada, depois disse que ia dizer, mas ainda não disse. E nem vou dizer, mas Zuca Sardan sim, ele vai dizer: "E sobretudo, meu caro leitor, / Não me faça perguntas difíceis". Outra vez: então, não é isso que eu ia dizer. Bom final de semana, até um dia desses.

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Três ou quatro coisas


Ontem descobri (não, descobriram) que gosto muito de janelas: é, gosto mesmo delas. Nesta fotografia de Alec Soth (Dancer, 2001) há uma janela grande. E uma perna também. Dá para ver né?! Em Marca-D'água, de Joseph Brodsky (2006, CosacNaify), leio isso: "Somos aquilo que olhamos - bem, pelo menos parcialmente".
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Uma pergunta: será que alguém ainda lê isso aqui?!
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Do livro do Brodsky, que tem uma janela na capa, leio outra coisa bacana: "Um cheiro é, afinal, uma violação do equilíbrio de oxigênio, uma invasão deste por outros elementos - metano? carbono? enxofre? nitrogênio? Dependendo da intensidade dessa invasão, você tem um aroma, um cheiro, um fedor. Trata-se de um caso molecular, e a felicidade, suponho, é o momento em que você detecta que estão livres os elementos de sua própria composição".
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Então, é isso: uma janela, uma pergunta, um cheiro.

Quarta-feira, Maio 02, 2007

Um poema de Carlito Azevedo

UMA TENTATIVA DE RETRATÁ-LA
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Num dancing é mais difícil
pela chuva ácida dos reflexos,
íris hipnótica e sentidos desfolhados
na viagem circular absoluta pela
pista. Mas o século 21 preservou
ainda as bibliotecas, sistema de
sistemas que nos permite pressupor
que em sua bolsa convivam,
como dois faunos se encarando,
Lancôme e La Celestina.
Mas bibliotecas são também
esforços infinitos, fluxos imparáveis,
luminescentes, olhos em
zig-zag, vibração de mãos
pousando em páginas antigas,
com mandíbulas de bolor, e
todos os relâmpagos que há nisso.
Um derradeiro “motivo” seria o da
Jovem Em Um Carro Veloz
Falando Ao Celular; clausura
móvel onde soletrar palavras de
amor e perder tudo, manipular
as intermitências do desejo (e
perder tudo), imolar violetas
retardatárias. O planeta também
imola seus retardatários. Entre
operários na calçada, no frio,
aguardando a sirene da mudança
de turno? Talvez, talvez. De
certo modo ela se parece cada
vez mais com o que escreveu
o seu poeta favorito:
“Piccolo, sempre piú piccolo.
Pigmeo, sempre piú pigmeo.”
Por isso nem dancings, nem
bibliotecas nos bastam. Nem
a balada do automóvel insone.
Isso, e nem a cama alta onde
agora, contudo, sorri
esse shakespeariano animal
que logo existe.
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[na revista Inimigo Rumor, 19]