Sábado, Setembro 29, 2007

C. Tarkos: uma fotografia e dois poemas

C. Tarkos, 1963-2004.
---
Eu vivo porque é agradável viver. Eu sei porque eu vivo. Eu vivo porque isso me dá prazer. Eu vi perfeitamente que é agradável estar vivo, que há prazeres. Se estou vivo é que acho que é agradável viver, assim eu decidi viver. A vida muitas vezes me dá prazeres. Há coisas boas nesse momento em que eu vivo. Eu vi que muitas vezes é agradável. Eu o vi enquanto eu vivia, a vida não é tão desagradável e ela dá agradáveis prazeres àquele que vive. Há muitas coisas boas para todo o corpo. Há certa quantidade delas, então eu vivo. Eu permaneço vivo já que ela me dá prazer. É bastante agradável viver, eu o vi ao encontrar bastante coisas agradáveis vivendo, eu vivia e eu continuo a viver porque vi que viver dá com freqüência bastante prazeres. Então tenho prazer em viver, então eu continuo. Assim eu sei por que eu ainda estou vivo, isso me dá prazer. Há prazeres em grande número pela vida e eu sei porque eu vivo, eu vivo por que ela me dá prazeres e por que ela é prazerosa. Assim eu sei por que estou ainda vivo e eu decidi continuar vivendo, é por isso que estou vivo, pois há bastante prazeres na vida. É prazeroso, então eu vivo, eu vivo enquanto for prazeroso.
---
Quando há morte, há uma organização. A morte se organiza. Quando há um morto há uma organização que se organiza em torno do morto. A morte não é nada fazer, a morte é organizar a morte do morto. Quando há um morto, é preciso se organizar, é preciso organizar sua morte, é preciso fazer sua morte. Fazer sua morte não é nada fazer, é preciso se organizar para fazê-lo, é preciso toda uma organização, a morte ela organiza, da morte ela faz uma organização, uma organização vai envolver o morto, a organização se enrola em torno do morto, é preciso fazer o morto, é preciso se organizar para fazer o morto, ela se organiza, ela quer fazer alguma coisa, ela deve se organizar para fazer alguma coisa, ela deve mover tudo que está em torno do morto, ela deve mover-se, a organização faz alguma coisa em torno do morto, a organização é tudo o que se faz para fazer a morte, é preciso fazer a morte, a organização é toda a morte, toda a organização se esforça para fazer morte, toda organização é atmosfera para fazer morte, a organização e a morte são uma só e mesma coisa. A organização é a morte.
---
[traduções de Masé Lemos, IR 16]
---
Sábado, postagem 301, com um pouco de febre ainda, agefqtj-

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Rolling Stones, Like a roling stone

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Coltrane, Cabral e discurso

My Favorite Things, de John Coltrane, foi a trilha sonora de ontem, quarta-feira. É um outro disco importante para a história do jazz. Foi gravado em 1961, e a galera que tocou com Coltrane é a seguinte: McCoy Tyner (piano) Elvin Jones (bateria) e Steve Davis (baixo). Dá para conferir My Favourite Things no Youtube, clique aqui (ah, só para lembrar: que capa hein?!)
---
Quer saber tudo mas tudo mesmo sobre o Whitesnake?! Então, clique aqui.
---
Um poema de João Cabral, um poema chamado Dúvidas apócrifas de Marianne Moore, é um poema que eu sempre leio: "Sempre evitei falar de mim, / falar-me. Quis falar das coisas. / Mas na seleção dessas coisas / não haverá um falar de mim? // Não haverá nesse pudor / de falar-me uma confissão, / uma indireta confissão, / pelo avesso, e sempre impudor? // A coisa de que se falar / até onde está pura ou impura? / Ou sempre se impõe, mesmo / impuramente, a quem, dela quer falar? // Como saber, se há tanta coisa / de que falar ou não falar? / E se o evitá-la, o não falar, / é forma de falar da coisa?!".
---
Por falar em falar, hoje tem discurso, e só para repetir: eu já sabia. Parabéns!!! S2
agejqtj-

Terça-feira, Setembro 25, 2007

298, osgemeos e Radiohead


Na revista Simples, que comprei no começo de setembro em SP, osgemeos (Otávio e Gustavo) responderam o seguinte para a pergunta "Qual é a busca de vocês?": Acho que resolvemos pintar para fugir da realidade. Snetir o cheio da cor laranja. São Paulo sempre foi isso, ou melhor, está cada vez pior. Quando pintamos estamos longe de tudo e de todos. Buscamos um ponto onde estamos em pleno equilíbrio com nós mesmos, e em harmonia com o próprio mundo que criamos. Busca é uma coisa interessante. Parece que quanto mais vocÊ busca, menos encontra. E quando você nãos e preocupa tanto e deixa na mão de Deus as coisas acontecem naturalmente.
---
Buscar é, sim, uma coisa interessante.
---
298 é o número da postagem!!!
---
Então, do som Airbag, do Radiohead ("conferir" clip ae embaixo), busquei esta parte: In a fast german car / I'm amazed that I survived / An airbag saved my life". Putz, bem foda: um airbag salvou a vida de Thom Yorke. E é fato que tem alguma coisa errado com o pescoço dele no mesmo clip.
---
agefqtj-

Radiohead, Airbag (live at Jools Holland 1997)

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

Beyonce, Charles e Rimbaud

Beyonce, sempre simpática, dá um sorriso para a galera do Pesa-Nervos. Beyonce, obrigado pela simpatia de sempre, obrigado mesmo.
---
Obrigado por dizer Obrigado
Charles Bernstein

Este é um poema / totalmente acessível. / Não há nada / neste poema que seja, / de algum / modo, difícil / de entender. / Todas as palavras / são simples & / diretas. / Não há novos / conceitos, teorias, ou / idéias para confundí-lo. / Este poema / não tem pretensões / intelectuais. É / puramente emocional. / Ele expressa / os sentimentos do / autor: meus sentimentos / a pessoa que se dirige/ a você agora. / Seu objetivo / é falar de / coração a coração. / Este poema o aprecia / e o valoriza como / um leitor. Celebra / o triunfo da / imaginação humana / entre as armadilhas & / calamidades. Este poema / tem 90 linhas, / 269 palavras, e / mais sílabas do que / meu tempo para contá-las. / Cada linha, / palavra, & sílaba / foi escolhida para transmitir / seu significado preciso / & nada mais. / Este poema abjura / a obscuridade & o enigma. / Não há nada / escondido. Uma centena / de leitores poderia / ler o poema / de maneira/ idêntica & extrair / a mesma mensagem. / Este poema, como todos / os bons poemas, conta / uma história num estilo / direto que nunca / deixa o leitor / sozinho. Embora / às vezes expresse / amargura, ira, / ressentimento, xenofobia, / & insinue racismo, seu / verdadeiro tom é afirmativo. / Encarna alegria a despeito / destes momentos / da vida que / ele divide com / você. Este poema / representa a esperança / da poesia / que não vira as costas / para o público, que / não pensa que é melhor / do que o leitor, / que está empenhada / numa poesia como / forma popular, como / empinar pipa ou pescar. / Este poema / não pertence à uma / escola, e não tem / dogmas. Não segue a / moda. Diz apenas / o que diz. É / real.
---
[tradução de Régis Bonvicino, revista Sibila 11]
---
E Rimbaud, no mesmo 22 de setembro, diz, noutra carta, o seguinte: "Escrevam corretamente meu endereço, porque há um outro Rimbaud aqui, agente de viagens marítimas. Fizeram-me pagar 10 centavos de taxa extra de franquia".
---
agefqtj-

Sábado, Setembro 22, 2007

22092007

Alec Soth, uma fotografia da série Dog Days (sim, é uma galinha, e não um cachorro, mas tudo bem). Hoje é dia 22 de setembro, um sábado.
---
No dia 22 de setembro de 1880, Rimbaud escrevia uma carta aos seus familiares, que, entre outras coisas, dizia o seguinte: "Faz 40 graus de calor aqui em casa: suamos litros de água por dia. Queria apenas que fizesse 60 graus, como quando eu estava em Massaua! Vejo que vocês tiveram um belo verão. Ainda bem. É a revanche do famoso inverno. Os livros não chegaram porque (tenho certeza) alguém se apropriou deles em meu lugar tão logo deixei o Troodos. Continuo precisando deles assim como de outros, mas não vou pedir nada por enquanto. Não quero enviar dinheiro, antes de estar seguro de que não precisarei dele, o que vai acontecer caso eu parta no fim do mês. Desejo-lhes muita sorte e um verão de 50 anos sem interrupção, Respondam-me sempre no mesmo endereço, se eu partir eu avisarei".
---
Não, não vou pedir nada por enquanto.
---
agefqtj-

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

DJ Sara and DJ Ryusei

Sara tem oito anos, Ryusei, cinco.
---
Da série "Como tocar sem fones de ouvido?"
---
181 é foda!!!
---
agefqtj-

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Como tocar sem fones de ouvido? (ou 180 dias)

Como tocar sem fones de ouvido?


É só você conhecer seus discos. Sei que conhecia bem

as avenidas de Palm Beach

Você tem que etiquetar as partes do disco

desenhar setas e linhas no adesivo

Desenhar linhas e setas com uma caneta vermelha

isto não é um mapa, por favor

Além disso, você precisa contar as rotações do disco

e as rotações do disco são contadas assim:

_____________________________

Depois de algumas semanas (snow birds chegam no verão, para

fugir do frio do norte), já sei onde estão os trechos

É como tocar guitarra sem olhar para os dedos. É como beijá-la de olhos

fechados e fugir da pequena cicatriz que tem nas costas

E você sabe onde estão as notas depois de um tempo

(nascem sabendo, ela sempre perguntava)

Só que ao contrário de uma guitarra, cada disco é diferente

e você tem que aprender tudo sobre ele. E sobre ela, sobre cada

nota improvável, cada desatino, cada rotação etc.

Depois de um tempo, fica natural (não foi mais natural

depois do arranhão na última faixa do disco, Chicago,

a minha preferida)

Não foi natural a última linha

que desenhei na etiqueta branca, com aquela caneta vermelha

de Palm Beach


---


agefqtj-

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Quanto tempo (ou cair de amor)


Alec Soth, outra de Falls Manor. Não publicava mais nada aqui porque não conseguia abrir o Pesa-Nervos - tilt do Blogger desta vez. Quanto tempo que não sentia falta de escrever qualquer coisa aqui. E saudade de algumas pessoas que comentavam aqui.
---
Jean-Bertrand Pontalis é psicanalista. Foi entrevistado pela Folha de São Paulo no começo de setembro (02/09/2007, caderno Mais!). Copio aqui a primeira pergunta e a respectiva resposta.
---
Pergunta: Quando "caímos de amores" por alguém, iniciamos uma história?!
Jean-Bertrand Pontalis: Penso que sim. Gosto muito desse verbo, apaixonar-se ["tomber amoureux", literalmente "cair de amor"], que, entretanto, é menos forte que no inglês, no qual caímos no amor ["fall in love"]. É uma queda. Ficamos muito felizes quando isso acontece mas também sobressaltados. O que está acontecendo comigo, o que vai acontecer comigo? Para onde caímos? Ou, melhor dizendo, de onde caímos?! Caímos de nós mesmos, caímos fora de nós mesmos, caímos no outro. Até a alienação, como Swann [personagem de "Em busca do tempo perdido", de Proust], que cai no ciúme, na inquietação, na preocupação permanente, na busca, na investigação: o ser amado se torna totalmente impossível de ser apreendido, o "ser da fuga", como diz Proust.
---
Ah, talvez amanhã eu coloque um poema, ou algo parecido com um poema (se o Blogger não sabotar o Pesa-Nervos)
---
Cair é legal, agefqtj-

Sábado, Setembro 15, 2007

Amy Winehouse, Tears dry on their own

porque a galera tá um pouco perdida neste clip, perdidão...
---
porque ela dá um rolezinho e encontra umas amigas na rua...
---
porque "vai rodar e matar todo mundo" (a melhor frase de todos os tempos)...
---
porque depois eu escrevo alguma coisa legal aqui, beijos e abraços, bom fim de semana!!!
---
agefqtj-

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

In the air tonight (ou SP parte dois)

A história do clip é muito simples: um cara sente que alguma coisa vai acontecer, daí ele escreve este som.
---
É fato que ele está estranho, tem até uma hora (mais para o final do clip) que seu rosto fica com várias cores.
---
Este som fez parte da trilha sonora do passeio na terça-feira passada pela Avenida Paulista.
---
Então, agefqtj-

Domingo, Setembro 09, 2007

Lendo Proust ou SP parte um


Love ain't no stranger do Whitesnake fez parte da trilha sonora de São Paulo. Este som está no disco Slide it in (1984, foto). Isto é sério?! Ou não é?!
---
Quer ler Proust foi a pergunta de São Paulo!!!
---
"Como era sua miss?", pergunta Cadão Volpato no conto/pergunta que abre Questionário, e ele responde assim (casca-grossa, vocês vão ver!?): "A menina deste tamanho, com remela nos cílios grandes, chupeta, cabelo preso num coque, vinha vindo na estrada de terra atrás da praia, sozinha, de short e uma faixa de miss atravessda do tronco até os pés. Nela, escrito em lantejoulas: Miss Clube da Orla 1979. Devia ser uma responsabilidade e tanto, mas ela não estava nem aí. Passou por mim, tirou a chupeta como se fosse um chapéu, abriu um sorriso banguela na cara queimada de sol. Segui em frente. Quantos anos você tem?, ainda perguntei. Ela virou a cabeça e a mão aberta. O céu estava cinzento e nuvens brancas e gordas cercavam os morros na margem da estrada. Urubus desajeitados pousavam no capim amarelo, onde havia a carcaça de algum animal, um cavalo talvez. Ratazanas atravessaram na minha frente, evacuadas do interior do cadáver. Não consegui continuar. Paralisado, apavorado, procurei minhas miss na luz insuportável que tomava a estrada. Ela, a única coisa humana que me restava, tinha desaparecido na curva, no seu triunfo de beleza".
---
Para confirmar, agefqtj-

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Sampa, segunda e saudade


---
estou em sampa, hoje eh uma segunda-feira, e estou com saudade, muita saudade.
---
nada de novo dob o sol. mas sob o sol.
---
agefqtj-

Sábado, Setembro 01, 2007

Trilha sonora, viagem e saudade


[o youtube ainda sabota o pesa-nervos, mas tudo bem - vou tentar sabotar o you tube]
---
queria colocar o clip de Kingdom Of Doom, mas deu erro duas vezes (erro não, sabotaram!!!)... nesse clip eles fazem um almoço, e a comida parece ser colesterol puro, mas tá valendo, pq almoçar com eles deve ser bacana...
---
the good, the bad and the queen faz parte da trilha sonora da minha viagem (rio-sampa) que faço hoje, pela tarde... além deles, a trilha tem: amy winehouse, lcd soundsystem, joss stone, nine inch nails e timbaland, que confusao hein?!
---
vou tentar postar de lá, mas acho que vai ser complicado, volto na quinta-feira... e vou ficar com muita saudade de vc, muita mesmo!!!
---
agefqtj-