Quinta-feira, Novembro 29, 2007

(sem título)

[Cryopreservation Unit, fotografia de Taryn Simon, da série Um índice americano do oculto e do não-familiar] (clique na imagem)
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Simon escreveu este texto sobre/para essa fotografia: "The Cryonics Institute offers cryostasis (freezing) services for individuals and pets upon death. Cryostasis is practiced with the hope that lives will ultimately be extended through future developments in science, technology, and medicine. When, and if, these developments occur, Institute members hope to awake to an extended life in good health, free from disease or the aging process. Cryostasis must begin immediately upon legal death. A person or pet is infused with ice-preventive substances and quickly cooled to a temperature where physical decay virtually stops. The Cryonics Institute charges $28,000 for cryostasis if it is planned well in advance of legal death and $35,000 on shorter notice".
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"A ficção morte" é um poema de Sebastião Uchoa Leite, e está no livro A ficção vida. Nele, dramatiza-se a quase passagem para o outro lado. Um sujeito doente, internado, com o passaporte ruim nas mãos quase atravessa, quase:
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Penso em meu pequeno fim
Ouvirei zumbidos
Sugado pela zona de vácuo?
Ou zero-corpo?
Polidimensional
Subindo ao teto
Espiando-me de cima
Os outros em torno
Vozes mentalmente exaladas
Dizem ouvir-se um trinado
Muito alto
Sem zumbidos
Mas aí adeus
Morro de susto outra vez
Dentro da morte
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Uma frase para hoje e amanhã (e para outros dias também): "A maior parte do que importa em nossas vidas ocorre em nossa ausência" (Salman Rushdie)
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agefqtj-

Terça-feira, Novembro 27, 2007

18:12 (outra coisa entre)

[fotografia de Alec Soth (Fly and comet) 2001 + poema novo]
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Como se esperar fosse o mais complicado,

e talvez fosse mesmo

Como se chegasse um pouco tarde,

ou um pouco antes: não faz diferença

há sempre alguma coisa entre

– capaz de você lembrar daquele dia em que

ela não apareceu,

e havia outra coisa entre (uma outra coisa entre,

um vidro que divide, um sol, um outro vidro)

– capaz de alguém dizer não e você ouvir sim

e, depois, dizer: nunca ouvi nada

E de você lembrar da viagem ao lado dela,

da última viagem:

onze horas, dez horas, não faz diferença

talvez a mesma fotografia, a mesma fotografia

e a mesma fotografia

sempre – onze, dez, ou não fazer diferença alguma,

nenhuma diferença (sempre faz, ele disse)

como se fosse, ou se não fosse:

respire, não respire, disseram depois

– como se o mais complicado fosse

esta outra coisa entre (vidro, sol e vidro)
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[publicado na modo de usar, um poema novo, escrevo mais alguma hoje ou amanhã, depende apenas do tempo, ou da falta de tempo]
agefqtj-

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

KC and the Sunshine Band, Please Don't Go

Babe, I love you so / I want you to know / that I'm going to miss your love / the minute you walk out that door...
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Pesa-Nervos brega?! Ou apenas mais uma canção?!
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Eu acho que ele passa mal no final do clip, enfim...
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agefqtj-

Sábado, Novembro 24, 2007

Modo de usar!!!

Qual o modo de usar?! Primeiro clique na imagem, anote as informações, e compre um exemplar. E depois, ou antes, visite: http://revistamododeusar.blogspot.com/
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agefqtj-

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Conjunções inesperadas ou esperadas?!


[Robert Deniro, Taxi Driver, 1976 + C. Tarkos (1963-2004)]
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Eu vivo porque é agradável viver. Eu sei porque eu vivo. Eu vivo porque isso me dá prazer. Eu vi perfeitamente que é agradável estar vivo, que há prazeres. Se estou vivo é que acho que é agradável viver, assim eu decidi viver. A vida muitas vezes me dá prazeres. Há coisas boas nesse momento em que eu vivo. Eu vi que muitas vezes é agradável. Eu o vi enquanto eu vivia, a vida não é tão desagradável e ela dá agradáveis prazeres àquele que vive. Há muitas coisas boas para todo o corpo. Há certa quantidade delas, então eu vivo. Eu permaneço vivo já que ela me dá prazer. É bastante agradável viver, eu o vi ao encontrar bastante coisas agradáveis vivendo, eu vivia e eu continuo a viver porque vi que viver dá com freqüência bastante prazeres. Então tenho prazer em viver, então eu continuo. Assim eu sei por que eu ainda estou vivo, isso me dá prazer. Há prazeres em grande número pela vida e eu sei porque eu vivo, eu vivo por que ela me dá prazeres e por que ela é prazerosa. Assim eu sei por que estou ainda vivo e eu decidi continuar vivendo, é por isso que estou vivo, pois há bastante prazeres na vida. É prazeroso, então eu vivo, eu vivo enquanto for prazeroso.
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[tradução de Masé Lemos, IR 16]
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agefqtj-
[cinco, excelente]

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

LCD Soundsystem, All my friends (live from Manchester)

Porque o Pesa-Nervos gosta do LCD, e porque "Sound of silver" é trilha sonora aqui...

E porque o Fabriclive 36, mixado por James Murphy e Pat Mahoney, não pára de tocar aqui...

E, também, porque All my friends é foda...

agefqtj-

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Price to pay, ouvir e economizar


[Incomodada Gisele?! Não tem mais sossego?! Gisele, price to pay, price to pay...]
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"Quando Tom Waits era garoto, ele ouvia o mundo de maneira diferente. Às vezes o mundo soava tão desafinado que o assustava. O farfalhar de uma folha de papel era capaz de fazê-lo recuar; o som de sua mãe ajustando os cobertores à sua volta, quando o colocava na cama, podia fazê-lo encolher, como se estivesse sentindo dor. "Não era legal", diz ele, fazendo um gesto de não com a cabeça, caso ainda restasse alguma dúvida. "Era uma coisa assustadora. Às vezes eu achava que era mentalmente doente - pensava que talvez fosse retardado. Eu colocava minha mão sobre um lençol, assim [esfregando sua camisa], e o som que ouvia era como o de uma lixa. Ou de um avião passando ao alto. Já li que outras pessoas também passram por isso", diz Tom. "Elas passaram por períodos em que havia uma distorção no mundo que as perturbava" (Beatorfão, caderno Mais! Folha de São Paulo, 18/11/2007).
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Um distorção no mundo que as perturbava, uma distorção no mundo.
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E frase para camiseta: save water, drink beer.
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agefqtj-
[quase oito]

Sábado, Novembro 17, 2007

conjunções inesperadas (parte um)

The birds, Alfred Hichtcock, 1963 + Um cão tenta beijar o céu, Douglas Messerli, s/d:
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Bob: Eu ouço um trem.
Albert: Não é trem.
Bob: Ao longe - lá - o apito.
Albert: Não há trens nesta parte do Estado.
Bob:Soa como um trem.
Albert: Não. Soa como um cão.
Bob: Eu me refiro ao apito.
Albert: É um latido.
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agefqtj-
[uma imagem, uma diálogo, e quase nenhuma relação]

Contrabando e uma lista de coisas

[Outra fotografia de Taryn Simon, desta vez da sala de contrabando da alfândega do aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, da série Um índice americano do oculto e do não-familiar]
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Simon explica a fotografia: "All items in the photograph were seized from the baggage of passengers arriving in the U.S. at JFK Terminal 4 from abroad over a 48-hour period. All seized items are identified, dissected, and then either ground up or incinerated. JFK processes more international passengers than any other airport in the United States."
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Antes, porém, ela cataloga todos os produtos confiscados: "Roedores africanos infestados de vermes, inhames africanos, batatas dos Andes, cúrcuma de Bangladesh, carne de caça, graviolas, folhas de curry, cascas de laranja secas, ovos frescos, caramujos africanos gigantes, chifres de antílope, sementes de jaca, ameixas, noz-de-cola, mangas, quiabos, maracujás, focinho de porco, carne de porco, frango cru, cabeças de porco sul-americanos, pés de tomate sul-americanos, limas do sul da Ásia infectadas com câncer cítrico, gramíneas, carnes cruas, planta subtropical não-identificada na terra"
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Entre outras coisas, você sentiu fome?!
(clique na imagem)
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agefqtj-
[luv u]

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Madlib, Beat Konducta in India

Então: para lembrar que o Mablib lançou Beat Konducta India (Vol. 3-4) no final de agosto, e que eu nem tinha escrito nada aqui (acho que só fiz uma referência).
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Este é o clip de lançamento, inacreditável, puta que pariu!!!
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Madlib faz parte da Stones Throw: http://www.stonesthrow.com/
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agefqtj-

Playboy, martelar e 3 coisas


[Edição em braile da revista Playboy, fotografia da americana Taryn Simon, da série Um índice americano do oculto e do não-familiar]
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Inacreditável não é?! Simon escreve textos para as fotografias (os dessa exposição estão no site). Salman Rushdie acredita que há imagens [de Simon] que não revelam seu significado enquanto o texto não for lido. Playboy em braile?! Leia a explicação de Simon: "The National Library Service for the Blind and Physically Handicapped (NLS), a division of the U.S. Library of Congress, provides a free national library program of Braille and recorded materials for blind and physically handicapped persons. Magazines included in the NLS’s programs are selected on the basis of demonstrated reader interest. This includes the publishing and distribution of a Braille edition of Playboy. Approximately 10 million American adults read Playboy every month, with 3 million obtaining it through paid circulation. It has included articles by writers such as Norman Mailer, Vladimir Nabokov, Philip Roth, Joyce Carol Oates, and Kurt Vonnegut and conducted interviews with Salvador Dali, Jean-Paul Sartre, and Malcolm X."
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de Yoko ono, outro de Grapefruit:
Pintura para martelar um prego: martele um prego no centro de um pedaço de vidro. Mande os fragmentos para um endereço aleatória.
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E as trÊs coisas?! A primeira coisa: bom feriado. A segunda coisa: divirtam-se. E a terceira coisa: cliquem na imagem.
agefqtj-

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Sobre fotografia

[Radiação em unidade de encapsulação e armazenagem de resíduos nucleares, fotografia de Taryn Simon, da série Um índice americano do oculto e do não-familiar]
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Eu acho que a americana Taryn Simon ao lado de Alec Soth são os fotógrafos mais legais para mim. Soth é bastante conhecido aqui no Pesa-Nervos. Simon é uma nova descoberta. Esta semana, e bem provável que nas próximas, vou colocar imagens de Simon para ilustar este espaço aqui.
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Ontem, no caderno Mais! da Folha de São Paulo, li um texto chamado "Estrelas secretas" do escritor Salman Rushdie sobre a obra de Simon. Seleciono um trecho: "Sou sempre imensamente grato às pessoas que fazem coisas possíveis em meu lugar e trazem, na volta, as fotos. Isso quer dizer que não preciso fazê-las, mas pelo menos sei como são visualmente".
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Sobre essa imagem em particular, Rushdie escreveu o seguinte: "E em pelo menos um caso há uma peça notável de arte "encontrada". Quem teria previsto que aquelas 90 cápsulas de aço inoxidável que contêm césio e estrôncio radioativo, submersas, num tanque de água e emitindo aquela radiação azul, se pareceriam tanto, quando fotografadas de cima, com o mapa dos EUA? Quando um fotógrafo faz uma imagem tão poderosamente expressiva quanto essa até alguém dedicado às palavras como eu é levado a admitir que essa imagem vale pelo menos mil palavras".
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mil palavras, e uma sigla:
agefqtj-

Sábado, Novembro 10, 2007

Beber, Yoko Ono e luta de classes

[outra tirinha bizarra, roubada dessa vez do blog Serelepices, utopias e militâncias, que tem como editora-chefe Luisa. Dêem uma olhada]
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Luta de classes, diálogo inacreditável encontrado numa comunidade inacreditável no orkut, eu estou lá (fiz pequenas modificações nele):
Engels: Aí Marx, os moleque da 6ª. F tão levando uma surra.
Marx: Demorô Engels, vamo lá ensinar esses comédia que ninguém mexe com a 6ª. F!!! Vou dar voadora na nuca... Iiiiiiiiéééééeéé!!!!!Iiiiiiiiéééééeéé!!!!!
Inspetor: - Bando de merdinhas, todo mundo pra diretoria já! Estão suspensos!
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E outra da Yoko Ono, para variar:
Peça para soprano: grite. Contra o vento, a parede, o céu.
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saudade de algumas pessoas,
agefqtj-

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Justice, D.A.N.C.E

Peça de dançar: dê play no clip, coloque o som no máximo, dance e depois comente a experiência.
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Eu tenho uma camiseta dessas ae!!!
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agefqtj-

ah, as nuvens!!!

Então, o que/quem você ama?!
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O estrangeiro, de Charles Baudelaire
[tradução de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Do livro Pequenos poemas em prosa]

- A quem mais amas, responde, homem enigmático: a teu pai, tua mãe, tua irmã ou teu irmão?
- Não tenho pai, nem mãe, nem irmão, nem irmão.
- Teus amigos?
- Eis uma palavra cujo sentido, para mim, até hoje permanece obscuro.
- Tua pátria?
- Ignoro em que latitude está situada.
- A beleza?
- Gostaria de amá-la, deusa e imortal.
- O ouro?
- Detesto-o como detestais a Deus.
- Então! a que é que tu amas, excêntrico estrangeiro?
- Amo as nuvens... as nuvens que passam... longe... lá muito longe ...as maravilhosas nuvens!
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Então, diz o que/quem você mais ama?!

Introdução à biologia


A editora Conrad acaba da publicar Black Hole - Introdução à biologia de Charles Burns. A revista Time disse isto: "Visualmente, a graphic novel mais impressionante publicada até hoje". Eu comprei mas ainda não li. Por isso, copio o que a Rolling Stone deste mÊs escreveu sobre Black Hole (a resenha foi escrita por Rodrigo Arijon): "A adolescência de Charles Burns não deve ter sido fácil. Ou melhor, foi como a de todo mundo. Só assim para justificar a abordagem assustadoramente realista do HQ Black Hole, considerada sua obra-prima. Em magistral preto e branco, o autor segue um grupo de jovens nos anos 70, quando uma praga sexual espalha-se entre eles. Enquanto alguns infectados adquirem aparência monstruosa e tornam-se párias, outros têm sintomas mais discretos - como uma segunda boca no pescoço. A história mostra os passos de Chris, uma garota que troca de pele, e Keith, um colega de escola apaixonado por ela. Uma boa sacada é o mosaico narrativo, com idas e vindas no tempo. Mais do que o horror do corpo - fetiche compartilhado com David Cronenberg -, Burns retrata fielmente a triste angústia dos adolescentes, com seus sentimentos embaralhados e suas pulsões incontroláveis. Black Hole não demoniza o sexo, mas avisa que ele traz conseqüências. E não se trata de uma metáfora da aids, pelo contrário, a doença apenas revela o estado de espírito dos personagens. O único defeito é ter que esperar pela conclusão no próximo volume. Black Hole é um mistério tentador a ser desvendado, mesmo para quem despreza HQs".
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Nem vou comentar não, quer dizer, só acho que esse é um texto muito adjetivado: "sentimentos embaralhados" e "pulsões incontroláveis", que medo!!!
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Outra peça de Yoko Ono (retirada de Grapefruit):
Peça da nuvem: imagine que as nuvens estão caindo. Cave um buraco no jardim para guardá-las.
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agefqtj-

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Amarelo, quadrado e sigla


Outra peça de Grapefruit, livro de Yoko Ono:
Peça do sol: observe o sol até que ele se torne quadrado.
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Uma sigla: agefqtj-

Daniela Edburg, Yoko Ono e China


Outra fotografia de Daniela Edburg, da série Drop dead gorgeous. Então, o lance da série é articular suicídios e/ou mortes ao consumismo louco e radical de hoje. Explicado né?! As meninas são amigas da fotógrafa, todas elas. Daniela Edburg é bacana, eu gosto.
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Outra peça da Yoko Ono, do livro Grapefruit:
Peça de rir: fique rindo por uma semana.
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Ontem no China in box eu tive uma revelação. Estava escrito isto no meu biscoito da sorte: "A vida para você é um aventura arrojada e audaciosa". Estou pensando nisso até agora. Pensando nisso ao som dos seguintes discos: Radiohead (In Rainbows), Fabriclive 34 (Mixed by Krafty Kuts) e Madlib (Beat Konducta Vol. 3-4, India). Eu acho que essa sorte me ajudou bastante, acho mesmo. Sou outra pessoa agora. E a sorte de hoje no meu Orkut me ajudou também: "Deixe de lado as preocupações e seja feliz". Bem legal né?!
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Mais uma peça da Yoko, para variar:
Peça da sílaba: decida não usar uma sílaba pelo resto da sua vida. Grave as coisas que aconteceram com você por causa disso.
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agefqtj-

The White Stripes, Icky Thump

clip estranho, som estranho, Pesa-Nervos fase estranha?!
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ou rapaz (no brilho) apaixonado por prostituta mexicana de olho de vidro...
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ou lendo em espanhol as legandas de um clip estranho...
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ou tecladinho bizarro e, sem dúvida, um som foda...
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agefqtj-

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Daniela Edburg, Yoko Ono e ecletismo


A fotografia é da texana Daniela Edburg, da série Drop dead gorgeous, uma expressão que significa "linda de morrer" e, ao mesmo tempo, "caia morta, linda". A série questiona a publicidade e, portanto, o consumismo. E ela diz: "Penso muito sobre as contradições da natureza humana e nossas tendências autodestrutivas". Acho que falta uma relação entre a descrição da série e a fala dela, mas tudo bem!!!
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A viagem será eclética, disseram no bus.
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Yoko Ono - Uma restrospectiva abre no próximo dia 10 no CCBB de São Paulo. As revistas, ah, as revistas!!! A Veja, como sempre, disse a seguinte grosseria: a melhor realização artística de Yoko foi se casar com Jonh Lennon. Grosseria das mais escrotas. A matéria da Bravo foi bem melhor, eles perguntaram: "Como você viveu a cultura jovem pop quando ela estourou no começo da década de 60? De que maneira a cultura pop está na sua arte e vida?!" E Yoko respondeu: "Eu acho que a cultura pop mudou a maneira de pensar daqueles seres humanos sérios demais da época. Em outras palavras, a cultura pop jogou uma pílula de riso no oceano de água salgada".
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Uma pípula de riso no oceano de água salgada, gostei disso. E a viagem nem foi eclética, e eu estou viciado no disco novo do Radiohead
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Em Grapefruit, livro que Yoko publicou em 1964, ela "mostra o caminho, diz a Bravo, para que o leitor crie, mesmo que apenas mentalmente, peças de arte". Publico algumas delas aqui no Pesa-Nervos (e lembro que Régis Bonvicino traduziu o livro. Pena que a edição foi de 500 exemplares apenas).
Peça de recolher: recolha sons na sua mente durante a semana. Repita-os em sua mente em ordens diferentes durante a tarde.
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(mais uma vez: a viagem não foi eclética, luv u)
agefqtj-

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

Dez razões para escrever e outros razões


Nem tenho razão para postar esta foto do Miles Davis aqui, uma vez que já postei, mas nem sempre é preciso ter razão: publico a foto porque ela é muito boa (será uma razão?!).
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Roland Barthes em Dez razões para escrever diz isto:
"Como escrever não é uma atividade normativa nem científica, não posso dizer por que nem para que se escrever. Posso apenas enumerar as razões pelas quais imagino escrever:
1. por necessidade de prazer que, como se sabe, não deixa de ter alguma relação com o encantamento erótico;
2. porque a escrita descentar a fala, o indíviduo, a pessoa, realiza um trabalho cuja origem é indiscernível;
3. para pôr em prática um "dom", satisfazer uma atividade instintiva, marcar uma diferença;
4. para ser reconhecido, gratificado, amado, contestado, constatado;
5. para cumprir tarefas ideólogicas ou contra-ideológicas;
6. para obedecer às injunções de uma tipologia secreta, de uma distribuição guerreira, de uma avaliação permanente;
7. para contribuir para fissurar o sistema simb´locio de nossa sociedade;
9. para produzir sentidos novos, ou seja, forças novas, apoderar-me das cosias de um modo novo, abalar e modificar a subjugação dos sentidos;
10. finalmente, como resultado da multiplicidade e da contradição deliberadas dessas razões, para burlar a idéia, o ídolo, o fetiche da Determinação Única, da Causa (causalidade e "boa causa") e credenciar assim o valor superior de um atividade pluralist, sem causalidade, finalidade nem generalidade, como o é o próprio texto".
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Eu acredito que os dadaístas nem queriam ter razão. Momento Dada, Hugo Ball: "O que chamamos Dada é um pedaço de estupidez do vazio, no qual todas as grandiosas questões se tornaram envolvidas".
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Então, a trilha sonora da viagem: Fabriclive 34 - Mixed by Krafty Kuts (2007), Los Hermanos-Ventura (2003), Radiohead - In Rainbows (2007), Spank Rock - YoYoYoYo (2006), Van Halen - 1984 (1984) e mais duas coletâneas especiais. Existe razão?!
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bom feriado, agefqtj-
(luv u)