Sexta-feira, Abril 25, 2008

A revolução convida (clique na imagem)


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Blondie, Heart of Glass

para tocar na festinha de dez anos da Inimigo Rumor!!!
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dez anos, vinte números

A revista Inimigo Rumor completa dez anos e vinte números. E do número 20, uma edição bem especial, a revolução publica uma texto da francesa Natalie Quintane (fotinha) chamado Observações (a tradução é de Carlito Azevedo)
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Quer venha pela frente, quer venha por trás, quando o vento sopra forte, eu me inclino para a frente.
Quando caminho, há sempre um de meus pés que desaparece atrás de mim.
Conforme a parte do corpo que eu coce, produzo um som diferente.
Quando deslizo uma das mãos para baixo do travesseiro, antes de nele repousar minha cabeça, obtenho uma camada suplementar.
Com a mão direita ou com a esquerda, passando por sobre ou sob meus ombros, consigo atingir todos os pontos da superfície de minhas costas.
No verão, após permanecer sentada na varanda, muitas vezes constato, impresso na parte posterior de minhas coxas, o desenho da cadeira.
Quanto mais a poltrona em que me sento for baixa e acolchoada, mais os meus joelhos ficarão próximos de meu rosto.
Quando os caracteres impressos são muito pequenos, e as linhas muito cerradas, acompanho com o dedo as frases que leio em um livro.
Ainda que meu quarto seja um ambiente absolutamente escuro, fecho os olhos para dormir.
Quando subo as mangas do meu pulôver, a dobra do cotovelo as impede de deslizar.
Mesmo quando olho “atrás de mim”, continuo a ver o que há diante dos meus olhos.
No instante em que mergulho meus pés na água fria, vejo mais nitidamente o que me cerca, e meus pensamentos tornam-se mais claros.
Quando bebo, meu lábio inferior permanece seco.
Parada sob o sol, graças à posição de meu ombro, posso,de maneira aproximada, saber que horas são.
Ao beber um gole de água, atiro rapidamente minha cabeça para trás na hora de engolir um comprimido.
Observando uma pessoa sentada, no escuro, frente à tela de um computador ligado, noto que seu rosto fica azul.
Quando assopro as velas de um bolo de aniversário, gosto antes de encher as bochechas de ar.
No verão, descubro às vezes uma formiga, ou uma mosca, passeando sobre minhas roupas.
Quando mordo uma fatia de melão, ela dissimula minha boca.
Se esfrego os olhos em pleno dia, a seguir pode-se acreditar que acabei de acordar.
Depois de tomar um banho, posso escrever meu nome sobre o espelho do banheiro.
Com um simples movimento de língua, desalojo um pedaço de amendoim preso entre dois dentes.
Quanto menor é o objeto que seguro – um prego, por exemplo – mais meu polegar e meu indicador ficam próximos um do outro.
Do lado esquerdo do indicador de minha mão direita, próximo à unha, há uma mínima protuberância, dura, seguida de um pequeno vão: é ali que posiciono a caneta quando escrevo.
Quando me ensabôo, as partes pilosas de meu corpo produzem espuma em abundância.
Quando cruzo as pernas embaixo da mesa, às vezes bato com o joelho.
Avançando o lábio inferior e soprando forte, ergo a franja de cabelos que cobre minha testa.
Fechando meu olho esquerdo (ou direito), e envesgando o outro, consigo ver o meu nariz.
Erguendo o pescoço diante de um espelho e abaixando os olhos, consigo ver debaixo do meu queixo.
Quando como ao ar livre, ao vento, uma mecha de cabelos entra, às vezes, em minha boca aberta.
Com uma pilha de livros nos braços, subo uma escada sem olhar os degraus.
Posso produzir um barulho notável se continuo a sugar com o canudinho o líquido que resta no fundo de um copo.
Quando a maçaneta da porta fica à minha esquerda, eu puxo a porta; quando fica à direita, eu empurro a porta.
Olhando pelo buraco da fechadura, eu vejo sem ser visto, a não ser que haja alguém atrás de mim.
Percebo melhor a direção em que seguem as nuvens se paro de andar.
Quando uma garrafa está virada verticalmente sobre meus lábios, é que estou bebendo suas últimas gotas.
Mesmo se lançar uma maçã bem longe, ela acabará por cair.
Quando como um pão com manteiga, mordo-o e, depois, rasgo-o, em geral, da esquerda para a direita.
Quando como uma torrada muito crocante, não ouço tão bem o rádio.
Um pouco antes de adormecer completamente, tenho às vezes a sensação de descer, de uma só vez, três andares de elevador.
Há uma temperatura abaixo da qual não posso falar sem, ao mesmo tempo, produzir uma nuvem de vapor.
Durante um beijo, minhas papilas gustativas também entram em ação.
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Flor, te amo muita coisa!!!
agefqtj-

Domingo, Abril 20, 2008

Tim Armstrong, Wake up

churras estilinho ska-punk!!!
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agefqtj-

Revolução e luzes



Intervenção de luz no centro desta cidade, que a revolução fotografou. Alguém sabe o nome do artista?!
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De onde saem os pontos de luz?! Resposta completa: os pontos de luz saem daqui!!!
Estação da Luz, Jabaquara!!!
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Flor, te amo!!!
agefqtj-

Quinta-feira, Abril 17, 2008

(cummings e a revolução)


(e.e. cummings viveu os últimos 40 anos de sua vida nessa casa em NY - obrigado pela foto, Flor)
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Um poema de cummings traduzido por Augusto de Campos (ps: o Blogger sabotou a formatação original do poema, mas tudo bem, o Pesa-Nervos vai sabotar o Blogger um dia!!!)
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platão lhe
disse:ele não
quis ouvir(jesus
lhe disse;ele
não soube
ouvir) lao
tse
certamente lhe
disse, e o general
(sim
senhora)
sherman;
e até
(acredite
ou
não) você
disse:eu lhe
disse: nós lhe dissemos
(ele não ouviu,não
senhor)foi preciso
um pedaço niponizado do
velho elevado da 6a
avenida;
no meio da testa:pra que ele ou
visse
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A revolução volta aos poucos, e continua ouvindo Radiohead!!!
Flor, te amo!!!
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agefqtj-

Terça-feira, Abril 15, 2008

Radiohead, Bodysnatchers (Scotch Mist Version)

Bodysnatchers ou trÊs guitarras noutra versão,
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Radiohead, Weird Fishes/Arpeggi (Scotch Mist Version)

weird fishes/arpeggi noutra versão,
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Quarta-feira, Abril 09, 2008

agefqtj-

Há uma edição dupla de Back to black, da Amy Winehouse. Procure, se for baixar, por "deluxe edition". A revolução anda escutando muito esse disquinho extra. São oito músicas, destaque para o tom "ska" do respectivo, com cover do The Specials e tudo, fino!!!
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Flor, você está de volta!!! Excelente!!!
A revolução está bem mais feliz agora!!!
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Régis Bonvicino pergunta para Michael Palmer se "Há alguma sentido para a idéia de vanguarda em arte?", e Palmer responde isto:
"Estamos distantes das vanguardas históricas da primeira metade do século e também dos movimentos neovanguardistas dos anos 50 ou dos anos 70 e 80. O vanguradismo, em sua forma específica, como um agente subversivo das artes, e ou atividade de antiarte, pode se transformar num "produto" do século XX - não há como saber. Todavia, devemos lembrar que há algo próximo ao eterno no impulso das vanguardas: o desejo de apurar nossos meios de percepção através da imaginação póetica, o desejo de retirar a linguagem e o sinal de seus hábitos, de retirar a forma da "conformidade" e desfazer e refazer o "fazer vazio". Tais estímulos são o legado do modernismo e do vanguardismo e, para mim, permanecerão tanto quando se queira manter a possibilidade de se fazer trabalhos com sentido mais profundo existirem"
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Apurar os meios de percepção?! Sim, a revolução aprova!!!
agefqtj-

Sábado, Abril 05, 2008

Um dia são 24 horas!!!

Soultrane, de John Coltrane, porque Soultrane é o disco do dia, ou melhor, é o disco destas 24 horas. E porque Coltrane é um dos músicos da revolução. E Soultrane é um poster e um LP, sim um LP, direto de NYC.
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Um dia são 24 horas!!!
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Um poema de Wislawa Szymborska chamado Por um acaso (poema que a revolução gosta muito e que sempre lê):

Poderia ter acontecido.
Teve que acontecer.
Aconteceu antes. Depois. Mais perto. Mais longe.
Aconteceu, mas não com você.
Você foi salvo pois foi o primeiro.
Você foi salvo pois foi o último.
Porque estava sozinho. Com outros. Na direita. Na esquerda.
Porque chovia. Por causa da sombra.
Por causa do sol.
Você teve sorte, havia uma floresta.
Você teve sorte, não havia árvores.
Você teve sorte, um trilho, um gancho, uma trave, um freio,
um batente, uma curva, um milímetro, um instante.
Você teve sorte, o camelo passou pelo olho da agulha.
Em conseqüência, porque, no entanto, porém.
O que teria acontecido se uma mão, um pé,
a um passo, por um fio
de uma coincidência.
Então você está aí? A salvo, por enquanto, das tormentas em curso?
Um só buraco na rede e você escapou?
Fiquei mudo de surpresa.
Escuta,
como seu coração dispara em mim.
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Flor, eu te amo muito!!!
agefqtj-