Penélope Cruz é atriz. Deve ser irmã, com certeza é filha. Já foi estudante. Também com certeza é amiga de alguém. Ignoro, por falta de curiosidade mesmo, se ela é mãe ou esposa de alguém. Enfim, ela é atriz.
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Wislawa Szymborska é polonoesa, e escreveu um poema chamado Curriculum vitae (não sei quem traduziu, também não quis procurar):
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Que é necessário fazer?
É necessário preencher um requerimento
E anexar um curriculum vitae.
Qualquer que seja a duração da vida
O C. V. deve ser sucinto.
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Recomenda-se a concisão e uma boa seleção dos dados.
Transformar o que era paisagem em endereço.
E as vagas lembranças em datas fixas.
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De todos os amores, basta o conjugal,
De todos os filhos, só os que nasceram.
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Quem te conhece, não quem conheces.
Viagens, só ao exterior.
Filiações sem as razões.
Distinções sem menção ao mérito.
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Escreva como se nem te conhecesses.
Como se te mantivesses sempre à distância de ti.
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Silêncio total sobre cães, gatos, passarinhos,
Lembranças, amigos e sonhos.
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Prêmios, mais que o valor.
Títulos, mais que a relevância.
Número dos sapatos, e não onde eles vão.
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Anexar uma foto com orelhas bem visíveis.
É a forma delas que conta, e não o que elas ouvem.
E o que é que elas ouvem?
Barulho de máquinas de picar papel.
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Escrevo, mas sem nenhuma vontade de escrever. Ela é uma atriz, Ela é polonesa. Ela não diz nada, Ela diz tudo. Ninguém, nada.
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