Quinta-feira, Julho 02, 2009

(diamond_dogs)

Depois de receber a notícia da morte de um amigo, eu escutei, sem nenhum motivo aparente, Diamond Dogs do Bowie. Daí lembrei que a gente tinha conversado uma tarde toda sobre Bowie. Daí lembrei que seu livro tinha a palavra dogs no título. Daí fiquei imaginando que, de alguma forma, ele tinha algo de Bowie. Daí lembrei que na dedicatória que escreveu no meu exemplar do seu livro, ele comparava aquilo que ele tinha escrito com o caos. Daí lembrei de um poema do C. Tarkos (IR 16, tradução de Masé Lemos) que ele gostava:
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Eu vivo porque é agradável viver. Eu sei porque eu vivo. Eu vivo porque isso me dá prazer. Eu vi perfeitamente que é agradável estar vivo, que há prazeres. Se estou vivo é que acho que é agradável viver, assim eu decidi viver. A vida muitas vezes me dá prazeres. Há coisas boas nesse momento em que eu vivo. Eu vi que muitas vezes é agradável. Eu o vi enquanto eu vivia, a vida não é tão desagradável e ela dá agradáveis prazeres àquele que vive. Há muitas coisas boas para todo o corpo. Há certa quantidade delas, então eu vivo. Eu permaneço vivo já que ela me dá prazer. É bastante agradável viver, eu o vi ao encontrar bastante coisas agradáveis vivendo, eu vivia e eu continuo a viver porque vi que viver dá com freqüência bastante prazeres. Então tenho prazer em viver, então eu continuo. Assim eu sei por que eu ainda estou vivo, isso me dá prazer. Há prazeres em grande número pela vida e eu sei porque eu vivo, eu vivo por que ela me dá prazeres e por que ela é prazerosa. Assim eu sei por que estou ainda vivo e eu decidi continuar vivendo, é por isso que estou vivo, pois há bastante prazeres na vida. É prazeroso, então eu vivo, eu vivo enquanto for prazeroso.
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Por que o Bowie?! Além do dogs do título, acho que foi por causa disto: "Ch-ch-Changes / Just gonna have to be a different man / Time may change me /But I can't trace time". Por que este poema?! Porque ele me mostrou que é agradável viver. Porque sempre foi agradável conviver com ele. Porque eu me divirtia com ele. E se divertir é uma coisa agradável. Porque eu me divirtia com as coisas que ele escrevia. E, entre as coisas que ele escreveu, me divertia muito com esta passagem:
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"A primeira liberdade é sair do cubículo. A segunda liberdade é andar pelo hospício. Liberdade, só fora do hospício. Mas a liberdade mesmo não existe. Estou sempre esbarrando em alguém para ser livre. Se houvesse liberdade o mundo seria uma loucura com todo mundo. Eu podendo sair por aí com Rimbaud e Baudelaire. Viajando pra Angra dos Reis".
(de Todos os cachorros são azuis, 7Letras, 2008).
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Digão, eu acho que você foi para Angra dos Reis com Rimbaud e Baudelaire. E no rádio do carro tocava Changes.
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Fica em paz, meu amigo.
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agefqtj-

1 Comments:

At 11:22 PM, Anonymous flormiga said...

=(


bela homenagem, though..



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S2

 

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