(pq não espirrar?!)
Depois do carnaval, a arrumação. E arrumando as coisas aqui, encontrei este objeto que meu tio-avô me deu antes de morrer. Ele, francês, de nome Marcel, se achava artista plástico. A família, com pouco paciência para suas excentricidades, quase nunca dava atenção a ele. Mas eu, boa alma, sempre conversei com ele. Perdia, sim, a paciência quando começava uns papos sobre arte não-retiniana, sobre encontrar objetos na rua e transformá-los em arte, enfim... Mas família é família, é preciso aguentar. Depois de mexer nestas coisas velhas, acabei espirrando. ---
Arrumando a estante encontrei Amor e outras histórias de André Sant'Anna (publicado em Portugal pela editora Cotovia). Folheando o livro, dei com esta passagem do conto Nothing is real (onde os Beatles fumam 1 no banheiro do palácio de Buckingham):
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– Calma, pessoal. Não briguem. Ainda tem mais.
Sobrou daquele do Bob Dylan.
– Vamos acelerar aí. Daqui a pouco a guarda da
rainha pega a gente.
– Eu sou o homem-ovo.
Tosse.
– É por causa desse fumo que o Bob Dylan canta
com aquela voz. Ele fica prendendo a fumaça.
– Mais respeito com o meu amigo Bob Dylan.
– Isso aí. O Dylan quando dá dois não fica falando
esse monte de bobagem que nem vocês.
– Pode crer. O Bob Dylan é cabeça.
– É. O maior cabeção.
Risos.
– Ouviu?
– O quê?
– Passos no corredor.
– Que paranóia!
– Eu juro que ouvi.
– Deve ser Margaret – a Mocréia.
– Socorro.
Risos.
– Deixa eu dar mais um, aí. Pô, vai acabar.
– Agora eu ouvi mesmo. É o Mark.
– Que Mark, John?
– Sei lá. Me passou um negócio ruim pela cabeça.
– Você tá viajando.
Batidas na porta.
Sobrou daquele do Bob Dylan.
– Vamos acelerar aí. Daqui a pouco a guarda da
rainha pega a gente.
– Eu sou o homem-ovo.
Tosse.
– É por causa desse fumo que o Bob Dylan canta
com aquela voz. Ele fica prendendo a fumaça.
– Mais respeito com o meu amigo Bob Dylan.
– Isso aí. O Dylan quando dá dois não fica falando
esse monte de bobagem que nem vocês.
– Pode crer. O Bob Dylan é cabeça.
– É. O maior cabeção.
Risos.
– Ouviu?
– O quê?
– Passos no corredor.
– Que paranóia!
– Eu juro que ouvi.
– Deve ser Margaret – a Mocréia.
– Socorro.
Risos.
– Deixa eu dar mais um, aí. Pô, vai acabar.
– Agora eu ouvi mesmo. É o Mark.
– Que Mark, John?
– Sei lá. Me passou um negócio ruim pela cabeça.
– Você tá viajando.
Batidas na porta.
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Arrumando os papéis aqui, encontrei algumas anotações, contas pagas, 3 doláres (porque dinheiro é dinheiro), 3 contos (que não vou publicar), um livro sobre a capacidade regenerativa de certos sucos (o suco de tangerina é o mais poderoso), e um pedaço de cartolina com a pergunta Por que não espirrar?!
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atchim!!!
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agefqtj-

